sexta-feira, 19 de junho de 2026

Missa - Palavras da Instituição

CONSAGRAÇÃO

 

         O coração ou o centro da santa missa é a consagração. Teologicamente elaborou-se a doutrina da transubstanciação. Toda a substância do pão e toda a substância do vinho, apesar da permanência dos acidentes, deixam de existir porque são tomados totalmente por Cristo que pela sua Palavra, pelo Espírito Santo e pela a Oração Eucarística os muda em seu corpo e seu sangue. Cristo disse eficazmente: “Isto é meu corpo/sangue” (Mt 26,26.28 e //). Ele não disse: “Isto simboliza, ou está no lugar...”, mas “é”, para expressar sua verdadeira presença.

O ministro ordenado e os fiéis

         Quando o presbítero (ministro ordenado), na pessoa de Cristo, pronuncia estas palavras, ele, na força da ordenação sacerdotal, age em nome do Cristo como cabeça da Igreja. Tem nas palavras uma enorme diferença. Certamente não é o corpo do ministro, porém o de Cristo, ao qual ele empresta sua voz, que torna presente o corpo e o sangue de Cristo. Cristo é sempre o celebrante principal da missa.

         No entanto, por outro lado, por trás das palavras surge a necessidade para o presbítero de se identificar ao Cristo, de quem proclama as palavras. Isto lhe coloca diante dos olhos o ideal da unidade e conformidade com o Senhor.

         Mesmo que as palavras de instituição sejam centrais, a missa não se restringe à consagração. Também se trata da consagração ou da “própria transubstanciação” do padre que celebra. Ciente de que as palavras de Cristo envolvem o padre, exigem dele comunhão e unidade. Junto com o presidente, cada participante da missa pode e deve dizer em seu íntimo: “Aqui está meu corpo, aqui está o meu sangue: tome-os e transforme-os”. O externo que permaneça após a celebração como era antes dela: as tarefas do dia-a-dia, família, profissão etc. “Todavia o que eu sou, meu corpo e meu sangue, meu pensar, minha vontade, o que levo de minha vida para a missa, tome-os, abrace-os e divinize-os”. Nossos afazeres continuarão os mesmos, no entanto, o que é possível mudar, somos nós mesmo; o que nos caracteriza como humanos e como cristãos, isto há de mudar. Tomamos parte na consagração.

Pe. Mário Fernando Glaab.


sábado, 13 de junho de 2026

Ir à missa, por quê?

 

IR “NA” MISSA - PARTICIPAR DA MISSA

 

            Talvez soe estranho “ir na missa”, mas é assim que a maioria das pessoas diz e entende o fato de estar presente na celebração da missa. Não é possível, em poucas palavras, falar da riqueza que é uma participação na celebração eucarística, no entanto, queremos refletir sobre alguns pontos que achamos importantes.

Por obrigação, por necessidade.

            Em tempos não muito distantes tinha-se a obrigação de “ouvir” missa aos domingos e dias santos como justificação. Hoje já não é mais a obrigação, porém difundiu-se bastante a ideia de que a missa é muito boa, e por isso, quando se precisa de uma graça pontual, a gente vai e pede na determinada intenção. E são tantas as necessidades ou pedidos que cada um tem. Outros, por não acreditarem muito, acham que é suficiente rezar em casa; ou até pedir para que outros o façam por eles.

            A obrigação, conforme a Igreja a propõe, não pode ser esquecida, principalmente para as crianças e os jovens. Ela é fruto de longa experiência pastoral, mas que não encontra mais eco em tempos atuais. Restam as diversas necessidades. Elas podem ser uma ocasião oportuna, sim; no entanto não podem ser o motivo último de se ir à missa.

Para participar

            Por ser batizado, todo cristão tem a graça de poder participar de tudo o que acontece durante a missa. Ele de fato está inserido no mistério que se celebra. E neste sentido, dizer “ir na missa”, expressa melhor o que estamos vivenciando.

            Nos diferentes ritos da celebração existem formas de participação: momentos de silêncio, de acolhida, de pedir perdão, de escutar, de rezar, de responder, de cantar; porém não pode faltar a união que se estabelece entre todos com o presidente ao dar graças em Jesus Cristo ao Pai na unidade do Espírito Santo.

            Tudo leva à Oração Eucarística que o presidente faz em nome de toda a assembleia reunida em “um só corpo e um só espírito”. O ministro ordenado, agindo na “Pessoa de Cristo”, conta com a “elevação do coração a Deus” dos fiéis presentes. Eles confirmam isso à ordem dele: “corações ao alto”, ao responderem “o nosso coração está em Deus”, e no fim dizem “Amém”. A partir de então, o presidente, em nome da Igreja, em Cristo, dirige-se ao Pai. Pede que este santifique as oferendas apresentadas com o envio do Espírito Santo para que se tornem o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, assim como Ele o mandou fazer.

            É a ação de graças de Cristo, sua Vida, Paixão, Morte e Ressurreição, que é tornada presente de forma sacramental. E neste mistério, suplica-se o Espírito Santo aos que irão comungar do “Pão Eucaristizado”. Assim também o cristão, em Cristo, na força do Espírito, dá graças, participa da Eucaristia.

Rezar junto

            Rezar junto na missa é imensamente mais do que recitar algumas fórmulas. É acolhida, é saudação, é pedir perdão, é ouvir, é rezar (fórmulas), é cantar, é silenciar, é levantar, sentar, ajoelhar; mas é principalmente “estar presente” de corpo e alma. Mesmo que seja somente o presidente que está rezando na Oração Eucarística, o participante “reza junto” quando ouve e conscientemente reza em seu interior, com o coração elevado a Deus.

            Portanto, dizer que se vai “na” missa, quando é assim entendido, pode até ser mais correto do que usar outras formas de dizê-lo.

Pe. Mário Fernando Glaab.