sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Maria Assunta ao Céu.

 

A MÃE DE JESUS NO CÉU EM CORPO E ALMA

A Igreja tem como verdade de fé, dogma, que Maria, a mãe de Jesus, foi levada em corpo e alma ao céu. É o dogma da Assunção de Nossa Senhora. Mesmo que este ele foi proclamado somente no século XX, não quer dizer que antes os cristãos não tivessem esta certeza. Desde os primeiros séculos da Igreja os fiéis sabiam que a Virgem Maria está junto a seu filho Jesus na glória do Céu. O povo cristão nunca duvidou que, terminado o curso de sua vida terrena, ela foi para junto do Ressuscitado, seu filho Jesus que subiu ao céu. Restava, no entanto, aprofundar teologicamente o que isto significava. No que consiste este privilégio especial, já que se acredita que os mártires e santos de todos os tempos estão no céu?

            Mesmo não tendo clareza teológica, desde cedo os fiéis concluíram que a Mãe de Jesus, por graça especial de seu Filho, estava no céu de forma definitiva: em corpo e alma. Desenvolveu-se a concepção de que todos os falecidos no Senhor aguardavam a segunda vida de Jesus, para julgar os vivos e os mortos, quando então os justos ressuscitam com Cristo para estarem com Ele para sempre. Maria, todavia, não ficaria nesta “espera”. Ela já estava com seu Filho em toda a sua plenitude; por ser a Imaculada, a Cheia de Graça. Corpo e alma significa justamente isso: todo o seu ser, sem nenhuma ruptura ou divisão.

O povo fiel intuiu também que a Virgem Maria foi levada por Jesus, seu Filho, ao céu para estar com Ele para sempre. Isto faz eco ao “cheia de graças”. Não foi ela que subiu, porém foi levada. Aí a distinção entre ascensão e assunção. O Ressuscitado subiu ao céu (ascensão), Maria foi levada por Ele ao céu (assunção).

            Desde as primeiras comunidades cristãs, mas especialmente com a definição do dogma, ao contemplar Maria no céu em corpo e alma, quer-se exaltar aquela que sempre foi a “pobre serva do Senhor”. Busca-se, assim, por ela, uma aproximação do Deus que se fez pobre para “anunciar a Boa-Nova aos pobres” (Lc 4,18). Mais do que isso, aprender com a Pobre Serva do Senhor a ser pobre para que o Anúncio chegue também a todos e não seja impedido de nos tocar, por estarmos apegados aos bens, às riquezas e ao mal. Experimentar com Maria o que quer dizer: “Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes” (Lc 1,52).

            A comemoração de Maria Assunta ao céu alimenta a esperança cristã. Cristo Jesus subiu para junto do Pai e prometeu preparar um lugar para os seus. É isto que o cristão espera. Assim, ao professar que a Mãe de Jesus já está no céu em corpo e alma, o fiel reforça essa certeza de fé. Maria, a primeira discípula de Jesus, aquela que guardava tudo em seu coração (cf. Lc 2,51), brilha como modelo para todos os que ainda estão a caminho, seguindo os passos do Mestre. Se ela pode fazer a vontade de Deus sempre, os discípulos hoje também podem fazê-la, e sonhar com a glória do céu.

            E por último, esse dogma incentiva a prática da oração a Maria, pedindo sua intercessão. A Igreja sempre tem como certo que uns podem e devem rezar pelos outros – a comunhão dos santos. Ao apresentar Maria Assunta ao Céu para o mundo, ela a indica como a Intercessora por excelência. Se Deus escuta a oração que nós pecadores fazemos uns pelos outros, quanto mais há de escutar a oração de sua Mãe que foi preservada de todo pecado! Rezemos sempre a Maria: “Rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte”.

Pe. Mário Fernando Glaab.