terça-feira, 10 de maio de 2016

Reflexão - Oração e esperança

ESPERANÇA EM TEMPOS DE CRISE

            Em tempos de crise, nada mais necessário que esperança. As crises, em qualquer situação da vida, da história individual, familiar, comunitária, social, nacional ou mundial, estão sempre a nos perseguir. Muitas vezes se apresentam com proporções assustadoras, que escapam de nossas pobres capacidades de resistência. Nestas horas, o que nos resta e que não pode esmorecer, é a esperança de superação, mesmo que não enxergamos nenhuma saída.

Esperança
            Mas afinal, o que se pode entender por esperança em momentos de crise? A esperança não é uma simples e ingênua saída com a qual se sonha quando as coisas não funcionam mais normalmente. Ela é algo que vai bem mais longe. Estamos falando, não de pensamento positivo (valor da psicologia, que fica, no entanto no nível humano), mas da esperança cristã; virtude que acompanha a fé e a caridade, e junto com elas compõe as virtudes teologais; infusas por Deus no batismo e desenvolvidas pelo cristão durante toda a vida.
            A virtude da esperança não traz soluções mágicas para situações angustiantes de crises, mas não abandona as pessoas diante dos desafios, muitas vezes, bem acima das possibilidades de solução. Ela é a certeza de que as forças contrárias não são invencíveis, ou melhor, que o mal não é mais forte que o bem. O possuidor da esperança sabe muito bem que pode sucumbir, mas que, com a força de Deus, lá no fundo do poço haverá uma resposta. Resposta que somente Deus pode dar, mas que será a resposta definitiva. Sabe que intervenções imediatas podem não acontecer, que as forças do mal farão muito estrago, porém, Deus haverá de recuperar o direito e a justiça. É isso que se aprende ao contemplar a vida, a paixão, a morte e a ressurreição de Jesus. Quando Jesus estava na cruz, gritaram: “Desce da cruz, e nós acreditaremos em ti”. Ele, no entanto, não desceu! Mesmo assim, confiou no Pai, e morreu. Teve esperança contra toda a esperança. A ressurreição é a resposta do Pai; a resposta definitiva.
            Em que, então, a esperança se baseia? O que a alimenta ou a sustém? Quanto maiores forem as crises, menos sinais de solução aparecem. Para Jesus, como para tantos justos, quanto mais perto da morte tanto mais sinais de fracasso e de derrota surgiam. Alimentar a esperança em quê? Apenas uma resposta convincente: a esperança é sustentada pela fé e pela caridade. A fé é adesão confiante em Deus, Senhor do Bem e Criador de todas as coisas. Ele não está sob o domínio do mal. A caridade é a relação íntima com esse Deus e com todas as criaturas, em Deus. Quanto mais caridade experimentada, tanto mais a força do Bem se expressa; e a pessoa que a possui ultrapassa as forças malignas.
            Se por um lado a esperança se sustenta na fé e na caridade, por outro, estas duas virtudes são sustentadas por ela. É sua larga, humilde e sofrida paciência que reaviva sempre de novo a fé e, impulsiona concretamente a caridade. Esperar, humilde e pacientemente, nas mais duras provações, em Deus que é maior, desperta enormemente a fé e exercita a caridade. Enquanto espera, vive com fé e caridade todos os instantes da existência, e da crise.

A oração em momentos de crise
Para alguns, nos momentos de crise, a saída está na oração. Verdade. No entanto, como rezar diante das cruzes?
Em primeiro lugar, o cristão não ora somente em momentos de provação, ele reza sempre, todos os dias. Contudo, a fé que leva a rezar, também nas situações mais complicadas, não pode ser ingênua. Apesar de pedir o afastamento do cálice, deve dispor a assumir, até as últimas consequências, as lutas contra o mal a que está submetido. Neste exato momento entra em cena a esperança, como virtude cristã que vai além da cruz que se carrega Calvário acima. A fé e a esperança sustentam a caridade que assume num esforço transformador a dor e o peso da cruz. Somente assim, a oração se torna resposta autêntica do cristão diante da cruz, a Deus que o fez para o bem, sem restrições. Pois, a ressurreição não assegura o desaparecimento da cruz nem sequer a vitória histórica sobre ela, mas alimenta a esperança, sustenta a fé e, fortifica a caridade.
            Uma vez dito isso, pode-se concluir que a oração cristã não pode ser um mendigar intervencionismos divinos perante as necessidades, os abusos ou as desgraças humanas, mas deve ser a confiante e segura busca de soluções para todos os males que afligem a humanidade, contando com a força que vem do alto, manifestada na ressurreição de Jesus, e de tantos mártires que não hesitaram em doar a vida por uma causa maior do que eles próprios. Assim como Deus não interveio para tirar Jesus da cruz – nem podia, pois estaria negando o amor testemunhado por ele – também não intervém naquilo que cabe a nós fazermos para tornar este mundo mais justo, fraterno e habitável por todos. Se o mal, causado pelos erros e egoísmos humanos, faz sofrer; o cristão reza para ter forças e não esmorecer na luta contra tais sofrimentos. Para com sua fé, esperança e caridade, vencer o mal com o bem.

Pe. Mário Fernando Glaab
www.marioglaab.blogspot.com

terça-feira, 3 de maio de 2016

Historinha em dialeto Alemão - Hunsrickisch

DE PODDA WO “BÖSEN” MIT DEM “BESEN” VERWECKSELT HAT

Dea liewe Leit noch mol! Wisst dea was mo so en orme Hunsrickischepodda vun Siidbrasilien passiert is? Dat woa so: de Jung hat jo doch blos in potugiesisch gestudiert; awe dehem in de Familie honse jo doch imme so hunsrikisch gesproch. Das richtische deitsch horra ja net gelent. Wie ea dan so weit fertich woa, un schun Podda woa, do hot ea mo die Gelegenheit griet um noo Deitschland se fohre. De junge Podda wo doch so froh, wuscht jo gonet me in sich se bleiwe! Weil ea doch soo gut deitsch spreche kunt, so richtich hunsrikisch, do hot ea sich kei Soriche gemach wie dat in Deitschland abklappe ted mit de Sproch.
Also: Gumoin hin un gumoin hea, wie gehts un gibt es Rehn? Soo is das geloof in de eschte Toche in Deitschland.Bisje krum, awe ma kont sich verstehn. Awe de Podda wolt doch aach mo in de Kerich helfe. Is zum Pfarra gan um hot sich oangebot fa mol Mess halle an Sunntach. “Naja, soot de Herr Pfarra, du halst die Mess in unsere Kirche am nächste Sonntag”. Gut. Dat Messbuch is mol dorichgeplettet gebb. Alles in Ordnung. Awa das is doch net so leicht: die Aussprechun in Hochdeitsch is iwerhaupt net mechlich fa so en arme Brasilionehunsrickat. No dem Vater unser komt doch das Gebet wo Friede verlangt. Es heist jo soo: “Erlöse uns, Herr, allmächtiger Vater, von allem Bösen und gib Friede in unseren Tagen” Dat ausspreche hat net geklappt. Dea Jung hot gebet: “Erleese uns, Her, almechtiche Vadda, vun alem Besen un geb Fiide in unsre Toche”. Gewittache, dat hot sich awa doch spassich oangeheat! Dat wea doch meh fa die Weiwa gerot geweascht; die wo imma so viel am Besen henke um keere misse.
Naja, so schlimm woa dat jo oach net. Un de Besen is doch viel leichta wie das “Bösen”; awe die deitsch Leit hon das doch verschtan. De Liwe Gott siche oach! Um mit de Zeit hot dat Poddache das Hochdeitsch oach noch gelent.

Glaabsmário

quinta-feira, 10 de março de 2016

Hunsrickisch Spesje

De Besoffne Schwong un de Giltiche Nochba

            Bei uns in de Kolonie hon doch di Leit sich all gut gekent. Jeda wuscht wie die ganz Geschicht abloofe tut bei de Nachbaschafft. Wen mo was bisje komisches voa komm is dan is es jo gleich in dem ganz Pikot vazehlt gebb. So en ganz Wuch is die Gechichte in alle Ecke gesproch gebb. Emol woa doch mo de Schwong in dea Leit erre Quatsch komm. So wor es:
De Schwong wo doch schun bekant bei dem Volk weil er so ohrich tief in das Gloos geguckt hat – so viel Schnaps gesoff hot. Do is dan mo passiert dass de Schwong owents hem komm is un hat de Kaneca voll! De orem Mann hat do gestan voa de Tea mit dem Schlissel in de Hand, hot awe einfach dat Schlisselloch net getroff. Dat hat so gang wie wenn es imma ausreisse wolt. Hin um hea. Do is dan uff emol de Nochba dezu komm. “Na, was is dann, Schwong?” hot de gefrot. “Sol ich dich mol helfe de Schlissel in das Schlisselloch schiewe?” “Nee!” sot de Schwong, “wen’s du mich helfe willscht, hal dan besse mo das Haus fest. Das tut sich doch imme so beweche!”. De Nochba wollt jo blos giltich sem, awa es hat net pariert. Die Leit hon sich lechlich demit gemach.

Glaabmário

segunda-feira, 7 de março de 2016

Deus nos salva não do sofrimento, mas no sofrimento!

JESUS SOFRE CONOSCO

            Viciada pela mentalidade capitalista, grande parte dos cristãos procura um deus que liberta do sofrimento, da dor e da morte. Como cada vez mais se compra o prazer, o poder e o domínio sobre todas as situações, também se busca, através da barganha pecuniária, a solução para o problema do sofrimento humano.
            Sem dúvida, é bom se preocupar com a eliminação dos sofrimentos que atingem as pessoas, tanto físicos como espirituais, psicológicos e de tantas outras maneiras. Mas que não se pode é negociar com Deus, para que ele resolva o que cabe a nós, seres humanos inteligentes e capazes, resolver. Na verdade, Deus, ou Jesus mesmo, não pode nos ajudar naquilo que é próprio nosso. Parece uma afirmação de alguém que não confia no poder de Cristo. Mas é pura verdade.
            Deus, em Jesus Cristo, está sempre com todos nós. Ele não nos abandona nos momentos felizes, como nos momentos de dor e de desespero. Se assim não fosse, ele não seria o “Deus Conosco”. Porém, também para os mais santos e devotos, o sofrimento é nua e crua realidade. Por quê?
            O sofrimento e a dor sempre serão a grande incógnita da vida dos humanos. Nem mesmo a fé cristã nos dá uma resposta como nós gostaríamos; ainda mais, influenciados pelo mundo que tudo quer explicar científica e tecnicamente. No entanto, esta mesma fé responde de outra maneira. Ela desafia mais nossa capacidade limitada e pede confiança total. Confiança não em alguma teoria ou em explicações racionais. Confiança naquele em quem acreditamos.
            Nós, os cristãos, cremos que Deus veio fazer história conosco. Ele se revelou e continua a se revelar. A revelação de Deus tomou forma humana na pessoa de Jesus de Nazaré. Ele veio, em momento histórico e localização geográfica precisos. Teve a sua história concreta. A fez com o seu povo. Mas não ficou restrito àquele momento histórico e àquela região da Palestina. Ele, o Filho do Pai Eterno encarnado na pessoa de Jesus, veio para ficar com todos os seres humanos de todos os tempos e de todos os lugares. Ele entrou na eternidade de Deus pela ressurreição. A história humana está perpassada pela história de Deus. Tudo o que acontece neste mundo, é afirmação ou negação desta verdade. Os acontecimentos que dão vida, favorecem a vida (não só dos humanos, mas também das demais formas de vida no Planeta) e a defendem, são verdadeiras, e sinalizam para a presença de Deus na história; os acontecimentos que matam, destroem ou dificultam a vida, são mentirosos, e negam a presença de Deus na caminhada histórica do mundo.
            O desafio do cristão está em se posicionar a favor da verdade. Isto pode lhe custar imensos sofrimentos, pois o mundo não quer ver a Deus. O mundo se sente perturbado pela presença de Deus. Ele quer se deliciar com a história longe da verdade. Quer viver na mentira, quer se esconder atrás dos próprios erros. O cristão, porém, sabendo que Deus está presente em Jesus que assumiu sobre si as dores e os sofrimentos da humanidade, não se acovarda. Assume a vida na verdade, assim como Jesus confiou verdadeiramente em Deus, ao ponto de lhe entregar o espírito no momento mais drástico da existência: no momento da morte. Assim também o cristão confia, mesmo que a dor, a incompreensão, a injustiça e o mal o fazem sofrer as mais terríveis angústias, até mesmo a morte.
            Resumindo tudo isso, podemos afirmar com o grande teólogo de nossos tempos, A. Queiruga, que “Deus, na história, não nos salva do sofrimento, mas nos salva no sofrimento”. Deus nos salva para a vida plena, como salvou a Jesus de Nazaré, ressuscitando-o. A ressurreição ninguém pode comprar, mas é gratuidade para os que a acolherem. O sofrimento faz parte da caminhada, mas não tem a última palavra. A última Palavra é Cristo Ressuscitado, vencedor do mal e da morte.
Pe. Mário Fernando Glaab

www.marioglaab.blgspot.com

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Jesus rezou, nós rezamos.

REZAR UNS PELOS OUTROS
            Jesus, antes de morrer, segundo o evangelista João, rezou, com intensidade única, ao Pai por si e por todos os que haviam de ouvi-lo e aceitá-lo. Pede ao Pai para que guarde os seus porque também o são dele. A certa altura Jesus se torna insistente, argumenta dizendo que pede por aqueles que lhe foram dados e aos quais fez conhecer o nome do Pai (cf. Jo 17).
            É, sem dúvida, um modelo de oração para qualquer cristão. Contudo, pode-se colocar algumas questões: Se Jesus tem consciência de que a missão que recebeu do Pai é justamente essa: dar a conhecer aos discípulos quem é o Pai; por que se faz necessário que agora ele pede ao mesmo Pai que os guarde? Sendo o Pai, conforme Jesus o apresenta, a fonte do amor e a origem de toda a história, e mais ainda, a última palavra de todos os acontecimentos, como é que se pode pedir que o amor ame? Não é de sua natureza amar sempre e a todos? Será necessário pedir ao Pai que ame (guarde)?
            Alguém vai dizer que nessa oração se revela a intimidade misteriosa entre o Filho e o Pai Eterno. Não se deve duvidar disso. Porém, quando falamos de Jesus, não podemos esquecer que ele é Deus e Homem. Jesus é humano como todos nós, e por isso mesmo ele se sente limitado como todos nós. A divindade de Jesus não faz desaparecer a sua humanidade. Jesus reza como pessoa: é o Deus Humanado. Os sentimentos humanos de Jesus entram no mistério de sua oração e, são aproveitados nos desígnios do Pai.
            A partir da oração de Jesus podemos nos perguntar sobre o verdadeiro conteúdo da oração cristã. O que Jesus faz e pede ao Pai? Analisando bem, podemos perceber que ele traduz em oração o que em outro lugar disse: “o meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar completamente a sua obra” (Jo 4,34). A oração e a ação de Jesus se identificam com a vontade de Deus. E assim pode-se dizer que o único conteúdo de todas as orações que pretendem ser cristãs, isto é, como as de Jesus, é sempre o mesmo: pedir ao Pai que faça exatamente o que ele faz. O conteúdo torna-se resposta comprometedora. Pois o Pai não precisa das nossas orações para atuar, mas nós é que precisamos da oração para podermos aceitar o amor do Pai e fazer sua vontade. Quanto mais Jesus reza, tanto mais está em condições para se doar completamente em sua missão.
            A essa altura cabe a pergunta, mas por que Jesus rezou pelos seus discípulos? Como já afirmamos acima, é a humanidade de Jesus que se dispõe sempre de novo com o Pai em favor dos que lhe foram dados. Ele sempre de novo se coloca em sintonia com o desejo de Deus para que todos sejam salvos. Sua oração é a melhor manifestação de sua disponibilidade para fazer o que o Pai quer dele. Mesmo tendo consciência da incapacidade de atingir muitas pessoas, pois precisa dos amigos para levar adiante sua missão, ele se deixa envolver pelo amor do Pai. Esse amor envolve tudo. Assim, Jesus comprometido, vai até as últimas consequências.
            Rezar uns pelos outros, eis a questão. Tem sentido para nós pobres criaturas, cheios de pecados e ambiguidades, pedir em favor dos outros? Estamos nós em condições para dizer a Deus o que é bom para o nosso semelhante? Quando as perguntas são colocadas dessa forma, com certeza não receberão respostas satisfatórias. Melhor seria formulá-las de outra forma. O amor de Deus acolhido por nós pode-nos transformar a tal ponto de nos comprometer com o bem do outro? Podemos descobrir, pela oração, o que convém, o que é bom, para o próximo? Aí sim, será possível uma resposta afirmativa. O sim que se dá para essa questão automaticamente compromete. Rezar uns pelos outros não se restringe a dizer a Deus o que ele deve fazer para o destinatário de nossa prece; mas, pelo contrário, ao constatarmos as necessidades dos outros, falamos delas para Deus, nosso Pai, e, deixando-nos envolver pelo amor que dele procede, comprometemo-nos em fazer o que está ao nosso alcance para que esse irmão não passe por necessidades, e, a partir da força da oração, o amor nos une em comunhão com a pessoa pela qual rezamos. Mesmo que geograficamente alguém esteja longe da pessoa pela qual quer rezar, a oração une todos em Cristo, pois para o amor não existem barreiras. Viemos e existimos todos da mesma fonte de amor que é próprio coração de Deus, rico em misericórdia.
            Rezemos uns pelos outros, mas rezemos comprometendo-nos uns com os outros; assim como Jesus rezou ao Pai pelos seus discípulos (por todos nós), comprometendo-se com cada um até as últimas consequências, dando a vida por todos nós.
Pe. Mário Fernando Glaab

www.marioglaab.blogspot.com

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Hunsrickische Witztja

ASCHEMITTWOCHSERKLEERUN

            Fria, wie die Lehra um aach di Kinna noch unschulldicha wohre, do hon die Lehra imma sich voagenomm de Kinna Alles richtich se erkleere. Net blos dat was voagesrip woa vun de Schuhlgemeinde, awa aach dat wo ma so wie en gute Krist wisse musst.
Do woa doch dann groat mo Aschemittwoch, un de Lehra wollt mol de Kinna de richtiche Sinn vun dem Staub klar mache; dat woa man so soat: “Gedenke, dass du aus Staub bist, und…” un hot dann mo dodriwa parlamentiat. Uff emol hot er dann mo gefrot: “Lukasje, wann kann ma sich denke dass mea all aus dem Staub vun de Erde komme?” Dat Lukasje hot net lang do driwa noogedenkt, hot mol gleich geantwort: “Ei wenn ma so aus dea Geprentmillieross komme wo ma de ganze Toach geputz hann. Dann wenn ma sich an die Been guckt, dann kann ma das jo verstehen, do is de Stoob so dickt dat die Been ganz schwatz sin – un so bleiwe se noch Toche lang!”
So wor es in annere Zeite. Die Lei hon vielmea mittgemach, awa wohre doch noch viel unschuldicha un aach lusticha. Gute Zeite!
Gloabsmário


RELICHIONSUNNARICHT

            Dea Pastoa in de Relichionsunnaricht hat dem kleine Lisje die Froche gestellt: “Warom hat dea liewe Aufastendeneheiland zu de Maria Madalena geschreit: ‘Rühre mich nicht an’?”. Dat kleine Lisje, wo groat aus dem Bet gekomm is, un noch tormlich woa, hot geantwort: “Ach, weil er doch blos uffgestann woa, un noch getormelt hat”.
Jeder tut vun seine Stelle dei Religiesichesache sien.

Glabsmário

sábado, 5 de dezembro de 2015

O cristão e o mal no mundo.

O SILÊNCIO DE DEUS

            Notícias de violência, injustiça, fome, calúnia, mentira, atentados, corrupções, guerras e mil e uma barbaridades são diariamente veiculadas pelos meios de comunicação. Há quem não liga porque ficou anestesiado. Diz que é assim mesmo. Outro se preocupa, mas também não sabe o que dizer ou fazer. Tem, no entanto, também aquele que se escandaliza e, coloca a culpa até mesmo em Deus! Por que Deus se silencia, por que não intervém? É matéria para uma boa reflexão.
            O Papa Bento XVI ao visitar o campo de concentração também fez a inquietante pergunta: “Onde estava Deus?” Ele deixou a pergunta no ar. Não a respondeu, como que dizendo, “responda cada um, conforme a sua fé e sua convicção religiosa”. Será que o Papa estava com dúvida sobre onde Deus estava quando essas terríveis atrocidades aconteceram? Certamente não.
            Por estes dias, alguém, impressionado com os atentados em Paris, mais uma vez perguntou: “Por que Deus não diz nada? Teria Deus se esquecido da humanidade?” É! Quando a dor, a injustiça e a morte violenta tocam diretamente as pessoas, não é de estranhar que tais interrogações surjam. Mas, a fé cristã, quando é verdadeira e profunda, vai além de tudo isso, e encontra a resposta que não é teórica, porém prática e comprometedora.
            Será que não está mais do que na hora de reavivar a fé e a confiança no Deus presente em nossa história e, no mistério da Encarnação do Verbo? O cristão não se cansa de professar que Deus é Pai Criador, Filho Redentor e Espírito de Amor. No entanto, esta profissão de fé não pode ficar no ar, deve, no entanto, ajudar cada um, e também às comunidades cristãs, a se colocarem na atitude de escuta e de resposta comprometedora. Deus, em Jesus Cristo, não está surdo! Ele fala e age a tal ponto de se fazer carne – carne como a nossa, em nossa carne. Deus fala e age onde fala e age o cristão; ou mesmo onde fala e age qualquer ser humano de boa vontade. Deus coloca tudo ao dispor do ser humano: sua força criadora, sua Palavra, sua graça e sua bênção. Basta acolhê-la e assumi-la.
            Ele, Deus, está sempre onde estão as pessoas, preferencialmente os mais necessitados. Ele está, primeiramente nas vítimas, sofrendo com elas as conseqüências das maldades, apoiando, sustentando e perdoando; porém, fala e age igualmente em todos os que consolam, que ajudam e que lutam contra toda forma de violência, de opressão, de injustiça e de morte. Portanto, afirmar que Deus se cala, ou que Deus não está presente em certas situações limites da vida é, em última instância, negar o Deus anunciado e revelado por Jesus de Nazaré e por tantos homens que não se deixaram vencer pelo mal, mas que, apesar de serem crucificados como ele, confiaram e se tornaram testemunhas verdadeiras.
            Deus, onde estás? Lá onde está o pobre, o necessitado, o injustiçado. Também onde estão as pessoas de bem, aqueles que como Jesus de Nazaré sabem abraçar, abençoar, curar e sofrer juntos. Não sejamos covardes, não joguemos a culpa em Deus; mas tenhamos fé e, façamos a nossa parte. Se no mundo existe muita maldade, o compromisso do cristão, e das pessoas de bem, é maior ainda. Ajudemos a tornar a realidade um pouco melhor, mais parecida com o Reino imaginado e inaugurado por Jesus de Nazaré.

Pe. Mário F. Glaab