O Filho de Deus nasceu na periferia da sociedade religiosa, política e econômica; somente os pobres o reconheceram: Maria, José, os pastores e, mais tarde os Magos, que eram estrangeiros. Ele nasceu para todos, mas os ricos não o acolheram. Quem somos nós: pobres ou ricos?
Feliz Natal. Que Jesus encontre acolhida em cada um de nós! Sejamos simples, humildes e, estejamos entre os pobres de todas as periferias, pois lá ele se manifestará.
domingo, 21 de dezembro de 2014
sábado, 20 de dezembro de 2014
Natal: a festa da luz
NATAL
– A NOITE SE ILUMINOU
Natal é mais que “noite abençoada”. É voltar-se para a
criança que vem. Criança que é o Filho de Deus feito humano. Olhar sobre o seu
nascimento. Todo o mais dessa festa vive desse olhar ou acaba em ilusão. Natal
nos diz: Ele chegou! Ele iluminou a noite. Iluminou a noite de nossas trevas, a
noite de nossas incompreensões, a noite do terror de nossos medos e desesperos.
Ele a transformou em noite abençoada, em noite santa.
Irrompeu no mundo e em nossa vida um acontecimento que
transformou nossa noite angustiosa e fria em noite santa e abençoada. Pois o
Senhor está aqui. O Senhor da criação e de minha vida está aqui. Ele não está
mais na “eternidade do infinito”, mas aqui. O Eterno passou a ser tempo, o
Filho passou a ser humano. Toda a imensidão do universo de Deus passou a ser
carne. O tempo e a vida humana se transformaram, porque Deus mesmo se fez
homem. Agora não necessitamos mais procurar no infinito dos céus, lá onde nosso
espírito e nosso coração se perdem, pois ele agora está em nosso mundo. Está no
nosso mundo onde nem ele tem privilégio algum, mas, como todo ser humano, está
sujeito à fome, ao cansaço, à inimizade, à agonia mortal e à morte mais
ignominiosa. Que o Deus Infinito, o Deus infinitamente Santo, o Deus da Vida,
aceitou a finitude humana, a tristeza mortal da terra e a própria morte é a
mais incerta verdade. Mas somente ela – a duvidosa luz da fé – transforma
nossas noites e pleno dia, somente ela abençoa toda noite.
Deus veio. Ele está aqui. Tudo é diferente do que nós o
imaginamos. A eternidade entrou no tempo e lhe deu um sentido novo. Agora nós e
o mundo podemos estar diante da face desvelada de Deus.
Quando dizemos que é natal, dizemos que Deus pronunciou
sua última Palavra, sua mais profunda e mais bonita Palavra. Sua Palavra se
pronunciou na carne, isto é, no mundo dos homens. Ele a pronunciou para dentro
do mundo. Ela não a retorna mais, pois Deus a disse definitivamente, quando Ele
mesmo entrou no mundo. E essa Palavra se chama: “eu te amo”, você mundo e você
ser humano...
Tudo, a partir do nascimento dessa criança, se
transformou. O tempo está envolto em eternidade, que se fez tempo. Todas as
lágrimas secaram desde sua própria fonte, pois Deus mesmo chorou com o ser
humano e enxugou as lágrimas. Toda esperança está plenificada porque Deus está
no mundo dos homens. A noite do mundo já está clara.
Quando então o nosso coração pronunciar igualmente a
palavra sim para a Palavra amorosa do Menino de Nazaré se realiza a noite
abençoada - o natal – de verdade. Essa palavra do coração estará plena da santa
graça de Deus. E a Palavra de Deus nascerá também em nosso coração. Deus mesmo
estabelecerá sua morada em nosso coração, assim como a estabeleceu em Belém.
A noite se iluminou! Feliz Natal!
Mário Glaab
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
A Igreja e sua mensagem atualizada
NOVOS
DESAFIOS PARA A TEOLOGIA E PARA A PASTORAL
Não adianta esconder o sol com a peneira, pois os raios dele
passam pelos seus furos e atingem áreas desprotegidas, tanto de nosso corpo
quanto de nossos ambientes fora ou dentro de casa. Ainda mais quando se reside
em regiões bastante ensolaradas, como é a nossa.
Mas não é sobre os raios solares que pretendo discorrer;
quero na verdade chamar a atenção para alguns desafios da teologia e da
pastoral de nossa Igreja. Até alguns anos passados, tudo parecia tranquilo. A
teologia tinha suas verdades que pareciam perenes e a pastoral não fazia muito
mais do que aplicar essas verdades para os fiéis. Os fiéis recebiam essas
verdades de seus pastores, orientavam-se por elas e se sentiam seguros. Hoje,
no entanto, as coisas mudaram, e não pouco. Parece que os desafios e as
perguntas que vêm do mundo atual já não se deixam mais conter por tais certezas
que eram tão resistentes. As questões penetram por todas as frestas e começam a
queimar as peles. Quanto mais sensíveis forem as peles, tanto mais sofrerão as
queimaduras.
Igreja:
sinal universal de salvação
Para evitar que as questões provoquem maiores
consequências, podendo levar a tumores insanáveis, quero considerar como
desafio pregações e fundamentações latentes, que quase sempre, norteiam as
mensagens em nossas igrejas. Partindo da necessidade de se ter uma igreja na
qual se vive e à qual se pertence, apresenta-se a verdade da Igreja: ela é o
sinal universal de salvação para o mundo. Tudo certo. Todavia, a teologia tem
como tarefa deixar claro que sinal é sempre sinal para alguém. Ou melhor, deve
orientar as pessoas que querem avançar. Quando o sinal ocupa o lugar daquilo
que sinaliza, perde seu sentido. Quantas vezes as pregações voltam-se para a
Igreja, apresentam-na em sua pureza ideal. Não vão muito além. Não respondem às
reais perguntas do homem de hoje. Assim, na prática, a intenção tem como meta
“encher” as igrejas de fiéis que formam um grupo seleto e protegido. Estas
pessoas que participam das celebrações ordinárias das paróquias estão “salvas”.
Fecha-se a Igreja diante do mundo, tanto teológica como pastoralmente. Quem
está no mundo, se quiser ter contato com a Igreja, necessariamente vai ter que
entrar pela porta da sacristia. Essa porta para ser aberta, geralmente exige
cursos, encontros, preparações de todo tipo; pior ainda, certificados de cursos!
O pregador que mais consegue chamar a atenção sobre a beleza de sua igreja, que
mais atrai, leva vantagem com relação ao que não tem esses dotes. A
concorrência torna-se o motor que move todo trabalho pastoral, escondendo uma
teologia subjacente que se baseia em princípios certos, mas mal atualizados.
A
verdade que protege e faz crescer
O Papa Francisco e muitos teólogos e pastores sérios
ensinam que a Igreja não pode chamar a atenção sobre si, mas deve, cada vez
mais, ser uma Igreja “em saída”. Ela precisa ir às periferias da sociedade onde
estão os desafios das multidões. A verdade da Igreja se atualiza lá, onde as
pessoas são mais carentes dos sinais de salvação, que lhe são próprios. A
Igreja é verdadeiramente sinal de salvação quando leva Jesus Cristo, o Salvador
da humanidade, aos ambientes que mais carecem dele. Ela, portanto, antes de se
preocupar consigo mesma, consciente de Jesus que veio para dar vida abundante,
se coloca sempre em defesa da vida de todos e, em todas as situações. Jesus de
Nazaré não veio ensinar uma religião, mas ao constituir a sua Igreja deu-lhe a
tarefa de fazer de todos os povos discípulos seus, isto é, convocá-los a
defender a vida e a dignidade de todo ser humano diante das forças
destruidoras. A Igreja e qualquer religião são verdadeiras quando saem de si e
vão para o mundo com a missão de servir à vida. A vida, conforme o Criador a
dispôs, que, sem dúvida, leva à realização plena; não só nesta terra, mas
também na vida futura. É a verdade que protege e faz crescer.
Nas periferias da sociedade estão os pobres: os pobres de
bens necessários para viver com dignidade, os explorados, os excluídos, os
perdidos nos vícios, os grupos minoritários etc.
Se a teologia e a pastoral da Igreja quiserem proteger a
“pele” da sociedade de hoje, não podem se furtar da tarefa de ir aos desvalidos.
Desmascarar qualquer pregação que visa somente o sucesso e a aparência da
comunidade fechada; mostrar o caminho para que, saindo de seu comodismo, vá
para onde a vida é mais ameaçada. Lá, envolvendo-se com a “escória” da
humanidade, mesmo que se suje com sangue contaminado, transfundir com sangue
novo os corpos dilacerados e malcheirosos. Apontar para Cristo que morreu entre
malfeitores, porém, mesmo assim, teve a ousadia de gritar: “Pai, em tuas mãos
entrego o meu espírito”. Teologia e pastoral que não favorecem uma Igreja “em saída”
e envolvida nas dores do mundo estão tentando esconder o que é próprio da
Igreja: levar luz para quem está na escuridão. Se isso não acontecer pelos
caminhos ordinários, por outros caminhos os raios de luz irão penetrar, mas
podem causar graves queimaduras.
Pe. Mário Fernando Glaab
WWW.marioglaab.blogspot.com
sábado, 1 de novembro de 2014
HUNSRICKISCH SPESSJE
IN DE KATEKISMUSUNNERICHT
Dat Fritzje wo doch imma son traurich Guriiche, dat
hat jedem die Nerven uff di Haut gebrun. De Podda, wo son strenge Mann wo, de
hot oach seine Last mit dem Fritzje gehat. Wat dem Geistliche doch gonet gefal
hot dat wo des das Fritzje imma so mit sei Hund dorum gestribt is. Dat Fritzje
un de Pororoo, wie de Hund gehees hot, die woore doch nie weit vonanna. Wo dat
Fritzje hin is, do wo aach de Pororoo dehinna. De Pfarr soat imma: “Loss doch
de stingiche Hund dehem!”, awa das nutz iwahaupt nicks.
En scheene Toach woa Katekismusunnericht. De Podda hot
die Kinna in die Kerich geruf un hot dan mo oangefang se parlamentiere. Dat
Fritzje hat ruich do gehuckt. Es hat net lang gedauet, un de Hund woa oach
schun unna de Bank. Dat wo doch zu viel fa de Vigario. Ganz bees horra gefroat,
un aach schun nohm Fritzje geguckt: “Warum is schon witta de stingiche Hund in
de Kerich?” Die Kinna hon sich all oangeguckt un gelacht. Dat Fritzje is awa
dann mo uffgeschtie un hot geantwot: “Ei, herr Pfarra, de Pororro is in de
Kerich weil die Tea uff geschtan hot. Dat is doch leicht se veschteen”. All hon’se
gelacht, blos de Podda is enscht geblieb.
Dat wo halt mo so. Die Hunn solle jo dehem bleiwe, awa
wen’se de Guriizade noch lowe in die Kerich, dat is oach net die End de Welt.
Glaabsmário
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Sacramentos
A
IMPORTÂNCIA DOS SACRAMENTOS NA CONSTRUÇÃO DA IGREJA?
Talvez alguém possa imaginar que a Igreja se constrói
fundamentalmente sobre a observância dos mandamentos, tendo como base a
doutrina e a moral. Os sacramentos, nesse caso, ficariam mais como uma
complementação individual de santidade, a perfeição espiritual do indivíduo;
salvo a Ordem e o Matrimônio que se direcionam ao outro ou aos outros. Não é
bem assim, pois, rompendo esse reducionismo, percebe-se íntima relação de todos
os sacramentos com a Igreja.
Antes, no entanto, de entrar na questão propriamente
dita, devemos lembrar que o ser humano foi criado para a comunhão com Deus.
Esta comunhão acontece quando o ser humano acolhe na comunidade a presença de
Deus. Como a distância entre o infinito de Deus e o ser humano finito é abissal
a relação entre os dois será por mediação. Mediação esta que na Igreja se
atualiza em ritos, chamados sinais sacramentais.
Os
sacramentos relacionam as pessoas com a Igreja
Partindo-se da ideia de que a Igreja como sinal de
salvação deve levar a todos o anúncio salvífico de Cristo, é fácil entender que
em cada sacramento ela o proclama a cada pessoa, seja individual seja
coletivamente. Assim é permitido imaginar os sacramentos como realizações, e
até autorrealizações, de Igreja. Quando alguém é batizado ele se relaciona
indissoluvelmente com Cristo, mas da mesma forma ele também estabelece relação
estável com o corpo eclesial, é incorporado na comunidade de fé. Ao ser
crismado, recebe o dom do Espírito Santo – enviado pelo Pai e pelo Filho -, mas
é em nome da Igreja que ele vai viver sua missão testemunhal, ser fermento na
massa, sal e luz que temperam a vida no mundo, conforme Cristo. Ao comungar eucaristicamente
recebe o corpo de Cristo e se une ao amor infinito de Deus, mas comunga no
mesmo pão que os irmãos comem. Portanto, sua relação eclesial é sinalizada e
reforçada. Não é lícito comer desse Pão quando não se está em comunhão com a
comunidade. Ao ser absolvido o pecador é acolhido nos braços misericordiosos do
Pai, mas é igualmente reconciliado na e com a Igreja. Quando um doente é ungido
Cristo se faz presente aliviando-lhe os sofrimentos e despertando nele a esperança;
mas através do ministro a Igreja se compromete no cuidado diaconal. O ordenado,
além da graça sacerdotal que o configura a Cristo-cabeça, está diretamente a
serviço do povo de Deus. E o Matrimônio, ao unir marido e mulher em Cristo,
dá-lhes a graça e a missão de se santificarem mutuamente, enriquecendo esta
missão na extensão familiar para os filhos e demais membros.
Os
sacramentos relacionam a Igreja com as pessoas
Cada vez que alguém se aproxima de um sacramento a Igreja
é construída. Os sacramentos constroem a Igreja ao engajar indivíduos no
serviço da salvação desta. O Concílio Vaticano II ensinou que a Igreja é
sacramento ou sinal universal de salvação (LG 48), quando então a pessoa
individualmente se faz sinal desta salvação, ela contribui na missão de toda a
Igreja. Neste sentido, ninguém recebe os sacramentos apenas para si, mas os
recebe para a Igreja; melhor ainda, a Igreja os recebe em seus membros. O fiel
recebe os sacramentos primordialmente para poder ser sinal na Igreja que é
sinal universal.
Por meio dos sacramentos a Igreja se relaciona com a
pessoa. Ela lhe dá a graça de Cristo que possui em seu meio. Insere o indivíduo
no seu convívio de comunhão. A relação é de acolhida e de envio. Assim como
Cristo acolhe as pessoas para estarem com ele, fazerem a experiência da
intimidade com Deus, depois os envia para o mundo com a missão de fazer novos
discípulos; assim também a Igreja introduz seus filhos na comunidade de fé e de
amor para daí, mandá-los à missão. Quão importantes são os sacramentos no
relacionamento eclesial!
A
comunhão eclesial
Quanto mais os indivíduos se abrem para a promessa e o
desafio dos sacramentos, tanto mais a Igreja se constrói, pois é na comunhão
eclesial que ela se realiza. Pode-se dizer que é nos indivíduos que acontece a
salvação de Deus por meio dos sacramentos, mas isso supõe o sacramento da
comunhão eclesial. Cada indivíduo que na fé recebe os sacramentos dá sua
resposta à Igreja e se coloca à sua disposição no discipulado pessoal em prol
do serviço da salvação. É o lugar do indivíduo na Igreja onde assume a missão
dela.
Todo rito, estabelecido pela Igreja, cria o acontecimento
celebrativo, o agir da Igreja, e esse se constitui a forma da qual Deus faz uso
para conceder sua graça ao indivíduo. Na comunhão eclesial, então, existe a
íntima relação entre o agir divino e o humano, e não podem ser separados. Deus
age no agir da Igreja. Afinal, é a Igreja que recebeu de Jesus Cristo a missão
de batizar, de fazer memória da Ceia...
A comunhão eclesial é expressa privilegiadamente na
liturgia dos sacramentos ao ponto de se dizer que os sacramentos são liturgia.
Os sacramentos estão inseridos na oração da comunidade que celebra a tal ponto
de não ser possível isolar aquele que recebe daquele que distribui: indivíduo e
Igreja. A íntima comunhão produz graça para toda a Igreja, não somente para a
pessoa.
Conclusão
Não resta dúvida: os sacramentos são de extrema
importância para a construção e a realização da Igreja. A Igreja, na sua missão
de continuar na história a ação de Jesus Cristo, convoca e reúne constantemente
as pessoas para levá-las ao encontro salvífico com Deus. Esse encontro com
Deus, proporcionado por Jesus Cristo e atualizado na Igreja, tem sentido quando
atinge seu alvo: a salvação do ser humano, individual e comunitariamente.
Os sacramentos da Igreja oferecem ao ser humano esta
possibilidade doe encontro com Deus; colocam-se como mediadores entre os dois,
o Deus infinito e o ser finito. São como que a “proteção” que encobre a
pequenez do humano finito. A comunicação entre humanos e Deus sempre depende de
mediação. Esta necessariamente deve ser histórica e concreta para atingir o
homem terreno. Torna-se isso possível por meio de palavras, figuras e
simbolizações, que são as palavras, as figuras e simbolizações ditas pela
Igreja em seus sacramentos aceitos eficazmente na fé dela e de cada pessoa que
os recebe.
Pe. Mário
Fernando Glaab
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Hunsrickisch Spessje
DE KLUCHE EINSTEIN UN DIE SCHEEN BLONDE
Es wor mo emol passiert dat en orich kluche Mann wo so
riisich eglich wor, un wo Einstein gehees hot, sich mo mit so en orich scheen
blondes Medche getrof hat. De kluche Mann, wo jo doch blos an gescheide Sache gedenkt
hot, hat dat Blondes gonet beobacht un seine Scheenheit erst recht net gesien.
Vun der annere Seit awa, dat Blondes hat de Mann mo so gans ongekuckt, von owe
bis unne. Hat so heelich fa sich gedenkt: “ich mist doch dem Kerl mo en
Proposte mache: vieleicht kan das noch en Kilo gewe!” Hot sich mo die Kurasch
genom un saat zum Einstein, wie er groat so bische am zimmeliere woa:
“Entschuldiche, awa stell dich doch mo voa, wen mea zwoi uns heirate tere, dat
kent was Unaausagewehnliches gewe, dei gross Kluchheit un mei Scheenheit
vemischt. En Jung fora de comum. Não é memo?”
Do hot erst de kluge Einstein mo sei Kaffiche
unnageschlickt, gukt mo so iwa sei Bril no dem Medche; net von owe bis unne,
awa noore an die blonde Hoa, un dan erklert er: “Mechlich is das schun, awa man
kan es ach vun der annere Seit guke: was vo en Bist kan do komme wie Resultad
von mei Eglichkeit un von dei Dummheit!”.
Barbaridade! Es is doch schun Allehand uff der Welt
passiert, un fast Alles kan man vun zwei Seite sien. Ma deff halt net schnell
sicha sin iwa das was ma gedenkt hot.
Glaabsmário
www.marioglaab.blogspot.com
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
JESUS, O CRISTÃO E OS POBRES
A
OPÇÃO PREFERENCIAL PELOS POBRES
Muito se tem falado sobre a opção preferencial pelos
pobres. Mas, talvez ainda hoje existam pessoas, e não poucas, que ainda não
estão convencidas da importância fundamental desta opção que a Igreja fez e
continua fazendo. Isso provavelmente se deve pelo fato de tais pessoas jamais
terem parado para levar a sério a questão. Geralmente impulsionados por
preconceitos antirrenovadores e instalados em seu comodismo descartaram
qualquer possibilidade reflexiva. Pobre, na sua concepção, é um vagabundo, um azarado,
e pior, alguém que perturba o bom andamento das coisas, inclusive da Igreja.
Quando muito, é objeto do desencargo de consciência, pois oferece oportunidade
de “fazer caridade”. Essas pessoas nunca tiveram coragem para observar como a
Sagrada Escritura apresenta Jesus de Nazaré, um pobre; porém, contrariamente ao
modo dos evangelhos, veem Jesus como o Cristo todo poderoso que está rodeado
por anjos que o servem dia e noite. Jesus, para eles, na verdade, não tem nada
de haver com a realidade dura dos pobres da Palestina de então, e muito menos,
com os de hoje. Ele é Deus, e está acima das misérias desses infelizes!
Para
ser discípulo de Jesus é preciso optar pelos pobres
Por que a Igreja opta preferencialmente pelos pobres?
Caso a Igreja queira ser verdadeiramente cristã, isto é, ser a Igreja de Jesus Cristo,
aquele anunciado pelos apóstolos e revelado nos evangelhos, não pode se furtar
a ser discípula, pois ele é o Mestre. Como discípula necessita colocar-se no
seguimento e isso implica fazer o que o mestre faz.
Do começo até o fim Jesus de Nazaré se apresenta como
pobre e está entre os pobres. Não porque é miserável ou infeliz, mas porque
como pobre está totalmente livre para se relacionar com o Pai que cuida de
todos. E, como pobre entre os pobres, pode lutar pela vida em plenitude para
todos. Não tem preocupação alguma em defender o que é dele ou de algum grupo
privilegiado. É livre com relação aos bens que sabe serem dons da gratuidade do
Pai que criou tudo para o bem de todos. Ele defende antes de tudo as pessoas
para que tenham acesso aos bens do Pai como garantia de vida. Não admite, de
forma alguma, o acúmulo desses bens nas mãos de gananciosos, pois quando isso
acontece, automaticamente faltam para os outros.
Se o Mestre é assim, seu discípulo não pode ser
diferente. Sendo que os bens atraem terrivelmente, são tentação constante para
todos, e continuam a atrair, o seguidor de Jesus precisa renovar sempre de novo
sua opção pelos pobres e pela sua própria vida pobre. A mesma coisa vale para a
Igreja. A Igreja é a comunidade dos discípulos de Jesus. Se ela não renovar
constantemente seu compromisso com o Mestre, também ela se prende aos bens, às
honras e ao poder. Ao invés de seguir a Jesus, apontando sempre para a
liberdade dele, ela se torna autorreferencial: chama a atenção sobre si mesma.
E, é fácil compreender que, ao se ver sem grandes virtudes, direciona o olhar
para os bens que acumula. Esconde-se atrás daquilo que deveria ser de todos,
mas que não o é, pois carece aos necessitados. É, portanto, inconcebível uma
Igreja que não tenha coragem de optar sempre de novo pelos pobres, uma vez que
Jesus foi o pobre e optou conscientemente pelos pobres.
Poder-se-ia levar adiante a argumentação citando a pobre
Virgem de Nazaré, a preferida de Deus, muito outros personagens bíblicos e os
santos da história da Igreja, os mártires de ontem e de hoje, todos eles pobres
e inseridos na vida dos pobres; mas basta uma referência.
Quem
são os pobres?
Jesus era pobre, esteve em meio aos pobres, o discípulo
dele igualmente é pobre e precisa estar entre os pobres, e a Igreja, se quiser
ser autêntica, não pode seguir por outro caminho. Pergunta-se, para esclarecer
mais, quem é afinal o pobre? O teólogo Jon Sobrino, profundo conhecedor da
pobreza em que grande parte da população latino-americana vive, assim define o
pobre: “pobre é aquele para o qual a vida é uma carga pesada, pois não pode
viver com um mínimo de dignidade”. E explica que é a pobreza é o que mais se
opõe ao plano original do Criador da vida.
Pobres são, então, todos aqueles que sofrem humilhações
por lhes faltarem os bens necessários para o corpo ou para a alma. A vida lhes
é um peso; sua dignidade é negada. Claro que existem graus de pobreza. Mas,
seja qual for, ela é sempre contrária à vontade do Criador. Importante ainda é
raciocinar corretamente, se a vida lhes é um peso ou se a dignidade lhes é
negada, alguém coloca peso em seus ombros, alguém está negando dignidade... É a
injustiça que rege o relacionamento entre as pessoas. Injustiça que possui
tantos tentáculos: opressão, exploração, exclusão, discriminação,
desconsideração, violência etc. A dignidade é negada quando por qualquer motivo
alguém é tratado como objeto e não como sujeito. Nem é preciso ser assíduo
observador para perceber que na sociedade servem os que são produtivos (para os
ricos), mas quando não conseguem mais produzir, são descartáveis.
Lamentavelmente isso acontece até mesmo entre grupos religiosos. Todavia, estes
são os preferidos de Jesus, de seu discípulo e da Igreja.
Jesus
e a religião
Jesus, ao revelar o projeto do Pai, não estava preocupado
em formar uma religião, mas em mostrar às pessoas o valor da vida. Por isso, o
Reino que ele anunciou estar próximo, é o Reino da justiça, da paz, do perdão e
da alegria. Nele todos haverão de possuir vida em plenitude. Esta é a vontade
do Criador. Se a partir da pregação e dos gestos de Jesus, com a força do
Espírito Santo, se formou a religião cristã, ela deve estar ao serviço desse
Reino. Pode-se afirmar que Jesus não veio ensinar uma religião, mas uma maneira
de viver; vivendo, defendendo e cultivando a vida. A religião deve religar as
pessoas e as comunidades a esta nova vida.
A Igreja, em toda a sua organização, não pode ter outra
finalidade a não ser a de inserir seus membros na religião da vida. Existem
muitas maneiras de fazer esta inserção, contudo, nunca uma opção pode ser considerada
autêntica se deixar para trás os pobres, isto é, quando a Igreja, preocupada
com sua realização na sociedade, não se envolve diretamente com aqueles que
mais gritam por vida, uma vez que estão ameaçados pela não-vida.
A religião, quando desencarnada, pode nos ensinar uma
moral ou um conjunto de normas a serem observadas. Essa moral e essas normas,
certamente são boas, contudo, conforme Jesus, tudo isso não corresponde ao
plano salvífico de Deus. Se a religião não se enfronha diretamente na vida dos
deserdados do mundo não serve para nada. Leonardo Boff diz que “as blasfêmias
dos pobres são súplicas diante de Deus”. Somente consegue entender a
profundidade dessa afirmação quem de fato descobriu Deus em Jesus de Nazaré.
Jesus, o Pobre, o Injustiçado, o Condenado, o Crucificado, aquele que
“blasfemou”: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”. Jesus, que como
todo o pobre, grita, chora e morre, não deixa de suplicar diante de Deus. Deus
que não se deixa vencer pelo mal que aflige seus filhos amados escuta o grito
de cada um deles, como escutou o grito de Jesus.
O que dizer das “religiões” que gritam ou ensinam a
gritar, não porque são pobres, mas para defender seus bens, ou para alcançar
sempre mais riquezas? Não é está uma heresia? A heresia da prosperidade -
teologia largamente difundida em nossos dias?
Igreja
a serviço da vida
Ao enveredar pelo caminho do Evangelho as coisas recebem
nova luz. Todo preconceito diante do pobre perde seu sentido. A boa notícia
trazida e vivida por Jesus de Nazaré inverte tudo. Deus não deseja a pobreza, e
o pobre não é um castigado. O pobre é criatura e filho do Pai tanto quanto
todos os demais. Ele está nesta condição porque alguém, nunca Deus, o jogou aí.
Ele merece justiça, pois Deus não admite que alguém sofra carências, uma vez
que colocou todas as coisas ao dispor de todos. A justiça que o pobre reclama é
ouvida por Deus, e por isso, Jesus opta pelo pobre e o ajuda a se levantar.
Contudo, como Jesus não pode fazer o que eu, você, e cada um devemos fazer; ele
conta conosco: “Ide!”.
A igreja é a comunidade dos discípulos de Jesus que
entendeu seu projeto de vida e por isso se coloca no caminho de Jesus. Ela
promete salvação a todos os que se colocam a serviço da vida junto aos últimos,
junto dos menores. A salvação se inicia entre eles e vai crescendo, como
fermento na massa, até atingir a realização completa quando Cristo será tudo em
todos. Opção preferencial pelos pobres é essencial para a Igreja. Sem essa
opção ela não pode ser a Igreja de Jesus de Nazaré, e se não o fizer, também
não pode levar ninguém à salvação eterna.
Pe. Mário
Fernando Glaab
WWW.marioglaab.blogspot.com.br
Assinar:
Postagens (Atom)