quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Reflexão

QUEM NÃO É CONTRA NÓS É A NOSSO FAVOR

Pe. Mário Fernando Glaab
            “Quem não é contra nós é a nosso favor”. Sábias palavras do Divino Mestre. Todos as conhecemos bem. Porém, talvez não as levamos muito a sério, principalmente quando estão em jogo nossos interesses particulares. Jesus as pronunciou quando os discípulos queriam proibir alguém de fazer o bem pelo fato de não andar com eles. Eles pretendiam ser os “donos” do bem. E quem não estivesse com eles não deveria fazê-lo. O Mestre, no entanto, ensina que o bem é infinitamente maior que nossas pobres qualidades, tantas vezes misturadas com fortes pitadas de orgulho e egoísmo. Onde Jesus encontra alguém que sinceramente procura o bem, ele o valoriza e o apoia. Para os discípulos isso foi difícil acatar.
            A tentação de excluir alguém porque ele também procura fazer o bem que nós não realizamos como poderia ser, e, ainda mais, porque pode ofuscar o nosso bem, não é coisa do passado. Hoje, como em todos os tempos, quem busca verdadeiramente o bem pelo bem, incomoda e provoca muita gente. Geralmente são os que se acham os bons, os que mais se perturbam. Querem proibir, impor regras e, em casos mais extremos, excluir totalmente aqueles que não são do seu grupo seleto. Essa atitude é sempre muito prejudicial, tanto para o alvejado quanto para o alvejante. E, até para a harmonia geral das coisas. O bem, que está em constante luta contra o mal, é penalizado.
            Padre Libânio, influente teólogo da Teologia da Libertação, falecido em janeiro passado, sempre dizia que “Nada faz o ser humano ser tão feliz como colaborar no crescimento interior e espiritual das pessoas”; poderia se completar, usando as palavras de Libânio mais amplamente: “Quanto mais as pessoas colaboram entre si, tanto mais se realizam”. E, pelo contrário: “Nada frustra mais o ser humano do que saber que ele não pode colaborar no crescimento e na evolução das pessoas, enfim, na busca do bem comum”. É muito bom saber somar com outras pessoas que, apesar de pensarem ou agirem diferente, buscam igualmente o bem, a paz e a harmonia. Porém, é muito mal se opor a quem quer colaborar, pelo fato de pensar diferente ou agir diferente. Isso não constrói, somente destrói e faz perder.
            O sofrimento, no entanto, é muito grande para aquele que se sente rejeitado. Ele se sente só. Os “bons” se opõem a ele, isso é terrível! Se colaborar no crescimento das pessoas traz felicidade; não poder colaborar com o crescimento das pessoas, das instituições, das igrejas, traz tristeza, e profunda! Uns têm mais força interior para resistir e perseverar teimosamente na busca do ideal do bem, outros, todavia, sentem-se fracos e derrotados.

            É tão bonito quando os seres humanos reconhecem humildemente que não podem melhorar o mundo sozinhos, mas reconhecem que na mútua colaboração podem transportar montanhas. Quando se unem e somam forças para cada vez mais estabelecer justiça, paz e amor. Nunca se deve proibir alguém de fazer o bem. O bem é bom, e não faz mal a ninguém.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Concílio Vaticano II hoje (12)

PACTO DAS CATACUMBAS (11)

            O décimo primeiro ponto de Pacto das Catacumbas diz: “Achando a colegialidade dos bispos sua realização a mais evangélica na assunção do encargo comum das massas humanas em estado de miséria física, cultural e moral – dois terços da humanidade – comprometemo-nos: - a participarmos, conforme nossos meios, dos investimentos urgentes dos episcopados das nações pobres; - a requerermos juntos ao plano dos organismos internacionais, mas testemunhando o Evangelho, como o fez o Papa Paulo VI na ONU, a adoção de estruturas econômicas e culturais que não mais fabriquem nações proletárias num mundo cada vez mais rico, mas sim permitam às massas pobres saírem de sua miséria”. Esse item não apresenta citações bíblicas para se justificar. No entanto, apoia-se no conjunto da visão evangélica da colegialidade. Aliás, a colegialidade episcopal foi um tema muito apreciado no Concílio Vaticano II.
            Nesta proposta os bispos renovam a consciência de que todos eles são sucessores dos apóstolos de Jesus Cristo. A missão que dele receberam deve ser concretizada na comunhão entre eles. Colegialidade quer expressar justamente isso. Todos juntos empenhados na mesma causa: levar a Boa-Nova de que Deus ama a todos indistintamente, aos confins da terra. Essa boa notícia que os bispos receberam do próprio Jesus, necessariamente precisa atingir os lugares mais recônditos da humanidade. Todos os seres humanos são objeto do anúncio, mas as “massas humanas em estado de miséria física, cultural e moral” são os primeiros na lista. Não poderia ser diferente uma vez que Cristo veio para “anunciar a Boa-Nova aos pobres” (Lc 4,18). Ainda mais, quando as estatísticas, da época, dizem que são “dois terços da humanidade”.

Mútua colaboração
            A consciência e o pacto não isentam da tarefa de mútua colaboração entre os episcopados. Todos querem participar, conforme os meios de que dispõem. As nações pobres hão de ver que os episcopados estão unidos na busca de soluções diante da miséria de tantos seres humanos. Parece muito claro que a intenção primeira não é de atrair fiéis para as igrejas; mas, participar na urgente tarefa de diminuir as dores que os irmãos mais pobres padecem. Este é um verdadeiro “investimento”, e, quem o vê, pode com facilidade chegar à fonte, que não é outra que o Evangelho de Jesus de Nazaré.
            Apoiar unidos, como colégio episcopal, os planos e organizações internacionais que combatem a miséria no mundo, tem como mola propulsora o Evangelho. Por isso a coerência, citando o testemunho de Paulo VI, que ao discursar na ONU, deixou claro que todas as iniciativas internacionais necessitam encontrar caminhos para ajudar os pobres – miseráveis – saírem da condição que os mantêm oprimidos. A distância que separa as nações ricas e nações pobres não se justifica, muito pelo contrário, deve diminuir até desaparecer.
            Esse compromisso foi muito corajoso e ousado. Os bispos das nações pobres têm muito mais abertura para esse compromisso. Não é a mesma coisa para aqueles que estão em situações mais cômodas. Quem possui pouco está aberto para receber e para partilhar o pouco que tem; mas quem tem bastante sente grande dificuldade para ajudar: ele sempre quer adiar para acumular mais um pouco! E, como líder religioso, sofre a tentação de se unir aos que tiram proveito da miséria alheia. Aliás, são eles que sustentam as dioceses, as paróquias e comunidades!... Ir contra suas “estruturas econômicas e culturais que fabricam nações proletárias” para se juntar aos colegas bispos que denunciam injustiças, é desafiador. Exige desapego corajoso e sincera opção preferencial pelos pobres. Quem o fez?

Uma luz que “vem do fim do mundo”
            Meio século após o compromisso fixado, pode-se perguntar sobre o que de fato aconteceu. Será que os bispos que assinaram o pacto se envolveram com os episcopados das nações mais pobres? Como colegiado se posicionaram junto aos organismos internacionais com o intento de encontrar saídas para as massas mais miseráveis? Ainda, conseguiram influenciar seus colegas e o clero em geral para que também eles se colocassem na posição de uma Igreja que serve, e não centrada em si mesma?
            Certamente, depois de passados 50 anos, com preocupação é preciso dizer que os desafios continuam. No entanto, não faltam exemplos, para quem quer ver, de grandes mudanças. Em muitos países que historicamente foram considerados pobres e produtores de miseráveis, aconteceram progressos imensos. A igreja teve sua participação, tanto no anúncio positivo de outros caminhos, quanto na denúncia dos erros que desqualificam o ser humano na sua dignidade. Grande multidão de gente simples recebeu, em sua comunidade, importante consciência de que ele é protagonista de sua própria história. A quantos foi levada a mensagem evangélica de que sua vida é abençoada por Deus e, que assim, deve-se unir aos irmãos e lutar para ter sempre mais vida. As lutas do povo, inspiradas pela sã teologia da Igreja – teologia da libertação no seu sentido genuíno -, foram marcas concretas de testemunho para se adotar estruturas mais justas e igualitárias. Pobres ajudando pobres faz a história avançar.
            Talvez o fruto mais saboroso que esta proposta produziu, e que se está colhendo agora, 50 anos depois de pacto das catacumbas, tenha sido a escolha de um papa que “vem do fim do mundo”; de um país da América Latina. Alguém que fez a experiência de ser pobre junto aos pobres. Francisco, antes de ser Francisco já se preocupou exemplarmente em ajudar os miseráveis para sair de sua miséria. Agora, responsável primeiro por toda a Igreja, um verdadeiro pastor, muito mais há de propor e fazer para fazer sair o maior número possível da situação de extrema pobreza. Seu anúncio é o de alguém que sabe valorizar o ser humano, e todo o ser humano, começando pelos últimos. Francisco, na sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium escreve: “Evangelizar é tornar o Reino de Deus presente no mundo” (176). Com essa pequena frase, que será desenvolvida posteriormente, Francisco deixa claro que não bastam palavras bonitas repetidas infinitamente. O que na verdade transforma é estar no mundo como alguém que transforma esse mundo com a luz e a força da Boa-Nova de Jesus Cristo. Anunciar o amor de Deus para o mundo é amar esse mundo com o amor de Deus. E, o amor de Deus não é estático, mas ele converte, liberta e transforma.
            Deixemos que a luz vinda do fim do mundo nos ilumine, e quem sabe, também nos queime. Queime os obstáculos que impedem nossa ação livre e desinteressada na construção de um mundo melhor, onde não há mais miséria, mas onde todos tenham vida e vida em abundância. Assim como Jesus descreveu o Reino de Deus.
Pe. Mário Fernando Glaab
WWW.marioglaab.blogspot.com.br


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Pe. Libânio

O FIM DE UM GRANDE TEÓLOGO
Lamentamos muito o falecimento do grande teólogo e amigo de todos os admiradores da verdadeira teologia, o Pe. J. Batista Libânio. Ele serviu, e serve ainda hoje, de inspiração para quem sabe valorizar o que é simples, mas profundo e verdadeiro. Que Deus o tenha em sua glória. Vai em paz, grande homem e amigo Libânio.
Mário

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

MECEs

SERVIDORES DA EUCARISTIA E DO POVO DE DEUS
Pe. Mário Fernando Glaab
            Não resta a menor dúvida de que a partir das reformas sugeridas pelo Concílio Vaticano II as comunidades tiveram um enorme crescimento, tanto na conscientização quanto na distribuição das tarefas entre os cristãos batizados. Por ocasião dos 50 anos do Concílio, merece atenção a valiosa contribuição que as inúmeras comunidades de nossas paróquias receberam com a implantação e o desenvolvimento do ministério da comunhão eucarística. Hoje é normal que cada comunidade tenha alguns ministros extraordinários da comunhão eucarística. É deles e para eles que queremos falar um pouco.
            Nas comunidades são os presbíteros (padres) os responsáveis de cuidar para que não falte a ninguém a possibilidade de se alimentar do Pão Eucarístico; ou então, quando está impossibilitado de buscá-lo na igreja, que este lhe seja levado em sua casa ou no hospital. Isso é próprio de seu ofício. São eles também os que devem organizar de tal forma as atividades paroquiais para que todas as comunidades tenham a celebração da Eucaristia aos domingos e dias santos. Isso, no entanto, não quer dizer que os padres tenham que se “dobrar em dois” para atender a todos quando o trabalho é demais para eles. Justamente aí entra o valioso ministério de homens e mulheres que, são convidados, se preparam e se dispõem para ajudar os seus pastores no ministério eucarístico. São e continuam sendo “extraordinários”. Isso quer dizer que prestam ajuda àqueles que devem exercer o ministério a partir de sua condição de ordenados. Mas como leigos e leigas, batizados e crismados, colocam generosamente seus dons e serviços à Eucaristia e ao Povo de Deus.
            Aproveitando o espírito de renovação que a Igreja vive pela passagem do jubileu dos 50 anos do Concílio vaticano II e pela expectativa criada pelo Papa Francisco, queremos contribuir com algumas sugestões para o valioso trabalho que os ministros extraordinários da comunhão eucarística realizam em nossas comunidades. Nunca é demais insistir para que ninguém caia na tentação de ver o ministério como uma honra ou um reconhecimento pelas suas qualidades. Ministério é serviço. Aquele que é convidado a prestar um serviço na comunidade deve aceitá-lo como tal. Jamais fazer dele um trampolim a fim de se colocar acima ou além dos demais. Ele não é melhor do que os outros, nem imune dos problemas que acontecem nas famílias e nas comunidades. Deve então: Em primeiro lugar, estar disponível para ir aos mais necessitados, isto é aos doentes, idosos, pobres ou excluídos. A Eucaristia é dom total de Cristo, para que o mundo tenha vida, assim o ministro deve ter a coragem de se doar para que a vida seja defendida onde ela é mais vulnerável. Bom seria se os ministros tivessem uma “rede de comunicação” para que imediatamente, quando surge um necessitado na comunidade, o pároco fosse avisado e, que os ministros fossem ao seu encontro. Em segundo lugar, por estarem ao serviço dos irmãos que creem na Eucaristia, também estão ao lado do padre que distribui o Pão da Vida aos fiéis nas missas. Não são eles que disputam um lugar de destaque junto ao altar, mas estão aí para ajudar – ir para o meio do povo e lhes oferecer o Alimento Sagrado. Em terceiro lugar, nas comunidades onde não se tem a missa dominical, os ministros organizam o culto, conforme o costume de cada diocese. Nesta importante função os ministros, além de dirigir orações distribuir a Eucaristia, também podem compartilhar a Palavra de Deus com mensagens adaptadas à realidade da comunidade. Devem, no entanto, ter o máximo de cuidado para nunca fazer sermão moralizante. Os fiéis não aceitam sermões desse tipo, nem do padre; e, muito menos, do ministro. A Palavra fala por si. A tarefa dos ministros e de outros membros da comunidade consiste em atualizar sua mensagem, isto é, compartilhar sua riqueza para que todos possam entendê-la. Os ministros, na intenção de bem exercer seu serviço, devem dar exemplo de fé, piedade e humildade. Não podem ser altivos ou ciumentos. Os ministros precisam ter espírito de colaboração entre eles. Quando um ministro quer abraçar tudo, ter o maior número de doentes assistidos por ele, ser sempre ele que ocupa o primeiro lugar nos cultos, ou não ajuda quando é outro que preside a celebração, já perdeu sua identidade de ministro extraordinário, perdeu a doação no serviço à Eucaristia e ao Povo de Deus.
            Resumindo:
1)      Os ministros extraordinários da Eucaristia estão a serviço de Eucaristia e do Povo de Deus. Por isso devem ser convidados para a doação, como Cristo se doa na Eucaristia. Para desempenhar bem o seu ministério não podem dispensar a formação contínua. Essa deve ser buscada na comunidade e também individualmente.
2)      Os ministros extraordinários da Eucaristia vão à cata dos doentes, de todos os necessitados; cuidam para que ninguém fique esquecido pela comunidade. Não dispensam esforços para visitá-los e, se for o caso, lhes levar a Eucaristia em suas casas ou nos hospitais.
3)      Estão sempre dispostos para ajudar nas missas. Não buscam destaques, mas estão disponíveis para distribuir o Pão Eucarístico conforme as necessidades e onde forem designados.
4)      Nos lugares onde não há missa aos domingos, os ministros organizem as celebrações do culto, onde se compartilha a Palavra e o Sacramento da Eucaristia. Devem ter o máximo de cuidado para não dar “sermões”, mas somente uma mensagem breve e bem atual, a partir das leituras do dia.

5)      Os ministros devem ter consciência de que foram chamados para servir na comunidade, nunca para serem melhores do que ninguém. Por isso, o ministro não pode ser ciumento para com os demais. Não deve querer abraçar tudo; deve saber colaborar com todos os demais colegas. A comunhão com o pároco é de extrema importância. 

sábado, 21 de dezembro de 2013

Mensagem Natalina

NATAL – A NOITE SE ILUMINOU

            Natal é mais que “noite abençoada”. É voltar-se para a criança que vem. Criança que é o Filho de Deus feito humano. Olhar sobre o seu nascimento. Todo o mais dessa festa vive desse olhar ou acaba em ilusão. Natal nos diz: Ele chegou! Ele iluminou a noite. Iluminou a noite de nossas trevas, a noite de nossas incompreensões, a noite do terror de nossos medos e desesperos. Ele a transformou em noite abençoada, em noite santa.
            Irrompeu no mundo e em nossa vida um acontecimento que transformou nossa noite angustiosa e fria em noite santa e abençoada. Pois o Senhor está aqui. O Senhor da criação e de minha vida está aqui. Ele não está mais na “eternidade do infinito”, mas aqui. O Eterno passou a ser tempo, o Filho passou a ser humano. Toda a imensidão do universo de Deus passou a ser carne. O tempo e a vida humana se transformaram, porque Deus mesmo se fez homem. Agora não necessitamos mais procurar no infinito dos céus, lá onde nosso espírito e nosso coração se perdem, pois ele agora está em nosso mundo. Está no nosso mundo onde nem ele tem privilégio algum, mas, como todo ser humano, está sujeito à fome, ao cansaço, à inimizade, à agonia mortal e à morte mais ignominiosa. Que o Deus Infinito, o Deus infinitamente Santo, o Deus da Vida, aceitou a finitude humana, a tristeza mortal da terra e a própria morte é a mais incerta verdade. Mas somente ela – a duvidosa luz da fé – transforma nossas noites e pleno dia, somente ela abençoa toda noite.
            Deus veio. Ele está aqui. Tudo é diferente do que nós o imaginamos. A eternidade entrou no tempo e lhe deu um sentido novo. Agora nós e o mundo podemos estar diante da face desvelada de Deus.
            Quando dizemos que é natal, dizemos que Deus pronunciou sua última Palavra, sua mais profunda e mais bonita Palavra. Sua Palavra se pronunciou na carne, isto é, no mundo dos homens. Ele a pronunciou para dentro do mundo. Ela não a retorna mais, pois Deus a disse definitivamente, quando Ele mesmo entrou no mundo. E essa Palavra se chama: “eu te amo”, você mundo e você ser humano...
            Tudo, a partir do nascimento dessa criança, se transformou. O tempo está envolto em eternidade, que se fez tempo. Todas as lágrimas secaram desde sua própria fonte, pois Deus mesmo chorou com o ser humano e enxugou as lágrimas. Toda esperança está plenificada porque Deus está no mundo dos homens. A noite do mundo já está clara.
            Quando então o nosso coração pronunciar igualmente a palavra sim para a Palavra amorosa do Menino de Nazaré se realiza a noite abençoada - o natal – de verdade. Essa palavra do coração estará plena da santa graça de Deus. E a Palavra de Deus nascerá também em nosso coração. Deus mesmo estabelecerá sua morada em nosso coração, assim como a estabeleceu em Belém.
            A noite se iluminou! Feliz Natal!

Mário Glaab

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Para o Natal

ACONTECEU NO NATAL
            Foi nos dias que antecedem o Natal. O pároco fez questão de visitar todos os doentes de sua paróquia para lhes levar um pouco de conforto e, ao mesmo tempo, preparar-se para a grande comemoração do nascimento de Jesus. Até então ainda não sentira em profundidade a expectativa do “Senhor que vem”. É verdade que a havia buscado na meditação da Palavra de Deus, nas orações, nas mensagens natalinas, na alegria das crianças; mas tudo isso ainda lhe parecia superficial. Seria mesmo mais um Natal que se aproximava? Seria de fato mais uma oportunidade para experimentar que Deus se havia feito um de nós na figura daquela criança de Nazaré? Tudo parecia tão distante.
            Algo marcante aconteceu quando o sacerdote chegou a uma casa simples do interior onde jazia uma senhora idosa, totalmente impossibilitada de se locomover. Humanamente falando, o estado era lastimável. Como já estava bem acostumado com casos assim, foi logo se colocando à disposição para que a senhora confessasse e, para então, após algumas breves orações, lhe administrar o Sacramento da Eucaristia. A mulher, no entanto, não sabia confessar em Português. Um pouco desapontado, o padre a deixou confessar em sua própria língua, ou melhor, na língua de seus pais e avós que vieram da Polônia. Sem entender uma única palavra, depois de alguns instantes, o padre rezou a fórmula da absolvição, traçando um grande sinal da cruz sobre a pobre penitente. Terminado o rito, o sacerdote, para descontrair um pouco, pediu para que a enferma rezasse por ele, uma vez que sua missão não era nada fácil; ainda mais, atender paroquianos que nem sequer sabiam se confessar em Português. A idosa prometeu que iria orar, mas o faria somente em polonês. Continuando a brincadeira, o sacerdote perguntou: “Mas será que Deus entende esta sua língua tão difícil?”. A boa senhora não deixou esperar, e com grande certeza de fé retrucou ao padre: “Deus entende melhor em polonês; isso porque eu rezo em polonês, e ele sempre me entende, pois ele sempre está comigo!”.
            Este foi o testemunho mais convincente de que de fato Deus se fez um de nós, e que ele estava aí, onde estão as pessoas mais simples, mais humildes e mais confiantes, junto àquelas pessoas que, mesmo não podendo fazer grandes coisas, acreditam piamente em sua presença amorosa. Essa foi a experiência mais marcante do pároco naquele Natal. Fez-lhe muito bem, e ele voltou para casa sentindo grande alegria – aquela que os anjos anunciaram aos pastores na noite de Natal. Não havia visto grandes coisas, mas sentiu o mistério do Menino-Deus bem próximo dele. Todos os enfeites, os papais-noéis e as músicas que se escutavam na cidade não o encantaram mais, ouvia, no entanto, lá no fundo de seu ser “ele sempre me entende, pois ele sempre está comigo”.
Pe. Mário Fernando Glaab

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Hunsrick - zu Weihnachte

UFF DE WEIHNACHTE PASSIAT
Dat woa in de letschte Toache voa de Weihnachte. De Pfarra hat sich Mie oan getun fa alle Kranke vun sein Pfarrei se besuche, un va ihne bisje Mut bringe, un aach um de nemlich Zeit sich selwa bisje bereit mache fa die gross Komemoration vun dem Jesus sei Geboatstoach. Bis dan hat ea selwa noch net richtich die Specktativ  vun “Herr wo kommt” gemerckt. Es is jo woa das ea gesucht hat in de Gotteswortmeditation, in de Gebeta, in de Weihnachtsbotschafte, in de Frohheit vun de Kinnacha; awa das Alles woa fa ihn so entfern, hat kei richtiche Geschmack. Sol das werklich nochmol en Weihnachte sin wo an komme is? Werklich nochmol en Gelechenheit fa Gott, de sich eene vun Uns gemach hot in de Figua vun dem Nazarethskind, se sprementiere? Das alles hat doch so weit ausgesien.
            Etwas iberraschendes is passiert wie de Podda in en einfach Haus komm is wo en alt Weib geleh hot, wo gonet me lofe kont. Menschlich gesproch, das wo en schlimme Stand. Awa de Podda woa jo das schon geweht, hot sich gleich fetich gemach dass dat Fromensch beichte tet; un dan, no weniche kotze gebeta, dem kranke Frauche die Komunion se gewe. Die Fro kunt awa net uff brasilionisch beichte. De Priesta, bische vertapt, hotze in erre eigene Sproch, oder in de sproch vun ihre eltre un Grosseltre wo vun Pole komm sin beichte geloss. Ohne en einsiches Wot se vertehn, no po Sekunde horra die Lossprechun gebet, un en gross Kreitzzeiche iwa die Busfrau gemach. Wie dan de Ritus am En wo, wolt dat Poddache, Spass mache, un verlangt dass dat kranke weib viel fa ihm bete solt, weil sei Iwagewung wea gonet leicht; un noch extra, weil ea mist sei Pfarrleid bediene wo jo noch netmol uff brasilionisch beichte kinne. Die Alt hot es aach versproche, awa sie tet es blos uff polakisch bete. De Podda hot weita gespielt, un gefroht: “awa mecht dan de liewe Gott dei schwere Sproch verstehn?” Die gut frau hot net lang watte geloss, un mit grosse Sicherheit un starke Glowe geantwot: “Gott versteht bessa in polakisch weil ich polakisch bete, un er tut mich imme verstehn, weil er imme bei mich is!”
            Das wo awa doch de beste Zeiche dass Gott werklich sich ene von Uns gemach hot, un dass er do wor, wo die einfache Leid sin, die demitische un die wo meh getrau sin, bei derre die, wense aach kei grosse Dinge mache, glowe fest an sei liewe Beisei. Dat wor dat beste Iwalebung fa de Pfarra an dene Weihnachte. Hat ihm gut getun, un er is hem gang mit grosse Freit, die selwiche wo die Engel de Hirte in de Weihnachtsnacht geprung han. De Podda hat net viel Grosses gesihn, hat awa das Geheimniss vun Kindegottes ganz dicht bei sich gespiert. Alle Schmuck, alle Weihnachtsmenna un aach die Musick in de stat honnen net me viel oangekriff; er hert imma noch, in tiefe seine Seele: “er versteht mich imma, weil er is imma bei mich”.
Glaabmário

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