sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

MECEs

SERVIDORES DA EUCARISTIA E DO POVO DE DEUS
Pe. Mário Fernando Glaab
            Não resta a menor dúvida de que a partir das reformas sugeridas pelo Concílio Vaticano II as comunidades tiveram um enorme crescimento, tanto na conscientização quanto na distribuição das tarefas entre os cristãos batizados. Por ocasião dos 50 anos do Concílio, merece atenção a valiosa contribuição que as inúmeras comunidades de nossas paróquias receberam com a implantação e o desenvolvimento do ministério da comunhão eucarística. Hoje é normal que cada comunidade tenha alguns ministros extraordinários da comunhão eucarística. É deles e para eles que queremos falar um pouco.
            Nas comunidades são os presbíteros (padres) os responsáveis de cuidar para que não falte a ninguém a possibilidade de se alimentar do Pão Eucarístico; ou então, quando está impossibilitado de buscá-lo na igreja, que este lhe seja levado em sua casa ou no hospital. Isso é próprio de seu ofício. São eles também os que devem organizar de tal forma as atividades paroquiais para que todas as comunidades tenham a celebração da Eucaristia aos domingos e dias santos. Isso, no entanto, não quer dizer que os padres tenham que se “dobrar em dois” para atender a todos quando o trabalho é demais para eles. Justamente aí entra o valioso ministério de homens e mulheres que, são convidados, se preparam e se dispõem para ajudar os seus pastores no ministério eucarístico. São e continuam sendo “extraordinários”. Isso quer dizer que prestam ajuda àqueles que devem exercer o ministério a partir de sua condição de ordenados. Mas como leigos e leigas, batizados e crismados, colocam generosamente seus dons e serviços à Eucaristia e ao Povo de Deus.
            Aproveitando o espírito de renovação que a Igreja vive pela passagem do jubileu dos 50 anos do Concílio vaticano II e pela expectativa criada pelo Papa Francisco, queremos contribuir com algumas sugestões para o valioso trabalho que os ministros extraordinários da comunhão eucarística realizam em nossas comunidades. Nunca é demais insistir para que ninguém caia na tentação de ver o ministério como uma honra ou um reconhecimento pelas suas qualidades. Ministério é serviço. Aquele que é convidado a prestar um serviço na comunidade deve aceitá-lo como tal. Jamais fazer dele um trampolim a fim de se colocar acima ou além dos demais. Ele não é melhor do que os outros, nem imune dos problemas que acontecem nas famílias e nas comunidades. Deve então: Em primeiro lugar, estar disponível para ir aos mais necessitados, isto é aos doentes, idosos, pobres ou excluídos. A Eucaristia é dom total de Cristo, para que o mundo tenha vida, assim o ministro deve ter a coragem de se doar para que a vida seja defendida onde ela é mais vulnerável. Bom seria se os ministros tivessem uma “rede de comunicação” para que imediatamente, quando surge um necessitado na comunidade, o pároco fosse avisado e, que os ministros fossem ao seu encontro. Em segundo lugar, por estarem ao serviço dos irmãos que creem na Eucaristia, também estão ao lado do padre que distribui o Pão da Vida aos fiéis nas missas. Não são eles que disputam um lugar de destaque junto ao altar, mas estão aí para ajudar – ir para o meio do povo e lhes oferecer o Alimento Sagrado. Em terceiro lugar, nas comunidades onde não se tem a missa dominical, os ministros organizam o culto, conforme o costume de cada diocese. Nesta importante função os ministros, além de dirigir orações distribuir a Eucaristia, também podem compartilhar a Palavra de Deus com mensagens adaptadas à realidade da comunidade. Devem, no entanto, ter o máximo de cuidado para nunca fazer sermão moralizante. Os fiéis não aceitam sermões desse tipo, nem do padre; e, muito menos, do ministro. A Palavra fala por si. A tarefa dos ministros e de outros membros da comunidade consiste em atualizar sua mensagem, isto é, compartilhar sua riqueza para que todos possam entendê-la. Os ministros, na intenção de bem exercer seu serviço, devem dar exemplo de fé, piedade e humildade. Não podem ser altivos ou ciumentos. Os ministros precisam ter espírito de colaboração entre eles. Quando um ministro quer abraçar tudo, ter o maior número de doentes assistidos por ele, ser sempre ele que ocupa o primeiro lugar nos cultos, ou não ajuda quando é outro que preside a celebração, já perdeu sua identidade de ministro extraordinário, perdeu a doação no serviço à Eucaristia e ao Povo de Deus.
            Resumindo:
1)      Os ministros extraordinários da Eucaristia estão a serviço de Eucaristia e do Povo de Deus. Por isso devem ser convidados para a doação, como Cristo se doa na Eucaristia. Para desempenhar bem o seu ministério não podem dispensar a formação contínua. Essa deve ser buscada na comunidade e também individualmente.
2)      Os ministros extraordinários da Eucaristia vão à cata dos doentes, de todos os necessitados; cuidam para que ninguém fique esquecido pela comunidade. Não dispensam esforços para visitá-los e, se for o caso, lhes levar a Eucaristia em suas casas ou nos hospitais.
3)      Estão sempre dispostos para ajudar nas missas. Não buscam destaques, mas estão disponíveis para distribuir o Pão Eucarístico conforme as necessidades e onde forem designados.
4)      Nos lugares onde não há missa aos domingos, os ministros organizem as celebrações do culto, onde se compartilha a Palavra e o Sacramento da Eucaristia. Devem ter o máximo de cuidado para não dar “sermões”, mas somente uma mensagem breve e bem atual, a partir das leituras do dia.

5)      Os ministros devem ter consciência de que foram chamados para servir na comunidade, nunca para serem melhores do que ninguém. Por isso, o ministro não pode ser ciumento para com os demais. Não deve querer abraçar tudo; deve saber colaborar com todos os demais colegas. A comunhão com o pároco é de extrema importância. 

sábado, 21 de dezembro de 2013

Mensagem Natalina

NATAL – A NOITE SE ILUMINOU

            Natal é mais que “noite abençoada”. É voltar-se para a criança que vem. Criança que é o Filho de Deus feito humano. Olhar sobre o seu nascimento. Todo o mais dessa festa vive desse olhar ou acaba em ilusão. Natal nos diz: Ele chegou! Ele iluminou a noite. Iluminou a noite de nossas trevas, a noite de nossas incompreensões, a noite do terror de nossos medos e desesperos. Ele a transformou em noite abençoada, em noite santa.
            Irrompeu no mundo e em nossa vida um acontecimento que transformou nossa noite angustiosa e fria em noite santa e abençoada. Pois o Senhor está aqui. O Senhor da criação e de minha vida está aqui. Ele não está mais na “eternidade do infinito”, mas aqui. O Eterno passou a ser tempo, o Filho passou a ser humano. Toda a imensidão do universo de Deus passou a ser carne. O tempo e a vida humana se transformaram, porque Deus mesmo se fez homem. Agora não necessitamos mais procurar no infinito dos céus, lá onde nosso espírito e nosso coração se perdem, pois ele agora está em nosso mundo. Está no nosso mundo onde nem ele tem privilégio algum, mas, como todo ser humano, está sujeito à fome, ao cansaço, à inimizade, à agonia mortal e à morte mais ignominiosa. Que o Deus Infinito, o Deus infinitamente Santo, o Deus da Vida, aceitou a finitude humana, a tristeza mortal da terra e a própria morte é a mais incerta verdade. Mas somente ela – a duvidosa luz da fé – transforma nossas noites e pleno dia, somente ela abençoa toda noite.
            Deus veio. Ele está aqui. Tudo é diferente do que nós o imaginamos. A eternidade entrou no tempo e lhe deu um sentido novo. Agora nós e o mundo podemos estar diante da face desvelada de Deus.
            Quando dizemos que é natal, dizemos que Deus pronunciou sua última Palavra, sua mais profunda e mais bonita Palavra. Sua Palavra se pronunciou na carne, isto é, no mundo dos homens. Ele a pronunciou para dentro do mundo. Ela não a retorna mais, pois Deus a disse definitivamente, quando Ele mesmo entrou no mundo. E essa Palavra se chama: “eu te amo”, você mundo e você ser humano...
            Tudo, a partir do nascimento dessa criança, se transformou. O tempo está envolto em eternidade, que se fez tempo. Todas as lágrimas secaram desde sua própria fonte, pois Deus mesmo chorou com o ser humano e enxugou as lágrimas. Toda esperança está plenificada porque Deus está no mundo dos homens. A noite do mundo já está clara.
            Quando então o nosso coração pronunciar igualmente a palavra sim para a Palavra amorosa do Menino de Nazaré se realiza a noite abençoada - o natal – de verdade. Essa palavra do coração estará plena da santa graça de Deus. E a Palavra de Deus nascerá também em nosso coração. Deus mesmo estabelecerá sua morada em nosso coração, assim como a estabeleceu em Belém.
            A noite se iluminou! Feliz Natal!

Mário Glaab

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Para o Natal

ACONTECEU NO NATAL
            Foi nos dias que antecedem o Natal. O pároco fez questão de visitar todos os doentes de sua paróquia para lhes levar um pouco de conforto e, ao mesmo tempo, preparar-se para a grande comemoração do nascimento de Jesus. Até então ainda não sentira em profundidade a expectativa do “Senhor que vem”. É verdade que a havia buscado na meditação da Palavra de Deus, nas orações, nas mensagens natalinas, na alegria das crianças; mas tudo isso ainda lhe parecia superficial. Seria mesmo mais um Natal que se aproximava? Seria de fato mais uma oportunidade para experimentar que Deus se havia feito um de nós na figura daquela criança de Nazaré? Tudo parecia tão distante.
            Algo marcante aconteceu quando o sacerdote chegou a uma casa simples do interior onde jazia uma senhora idosa, totalmente impossibilitada de se locomover. Humanamente falando, o estado era lastimável. Como já estava bem acostumado com casos assim, foi logo se colocando à disposição para que a senhora confessasse e, para então, após algumas breves orações, lhe administrar o Sacramento da Eucaristia. A mulher, no entanto, não sabia confessar em Português. Um pouco desapontado, o padre a deixou confessar em sua própria língua, ou melhor, na língua de seus pais e avós que vieram da Polônia. Sem entender uma única palavra, depois de alguns instantes, o padre rezou a fórmula da absolvição, traçando um grande sinal da cruz sobre a pobre penitente. Terminado o rito, o sacerdote, para descontrair um pouco, pediu para que a enferma rezasse por ele, uma vez que sua missão não era nada fácil; ainda mais, atender paroquianos que nem sequer sabiam se confessar em Português. A idosa prometeu que iria orar, mas o faria somente em polonês. Continuando a brincadeira, o sacerdote perguntou: “Mas será que Deus entende esta sua língua tão difícil?”. A boa senhora não deixou esperar, e com grande certeza de fé retrucou ao padre: “Deus entende melhor em polonês; isso porque eu rezo em polonês, e ele sempre me entende, pois ele sempre está comigo!”.
            Este foi o testemunho mais convincente de que de fato Deus se fez um de nós, e que ele estava aí, onde estão as pessoas mais simples, mais humildes e mais confiantes, junto àquelas pessoas que, mesmo não podendo fazer grandes coisas, acreditam piamente em sua presença amorosa. Essa foi a experiência mais marcante do pároco naquele Natal. Fez-lhe muito bem, e ele voltou para casa sentindo grande alegria – aquela que os anjos anunciaram aos pastores na noite de Natal. Não havia visto grandes coisas, mas sentiu o mistério do Menino-Deus bem próximo dele. Todos os enfeites, os papais-noéis e as músicas que se escutavam na cidade não o encantaram mais, ouvia, no entanto, lá no fundo de seu ser “ele sempre me entende, pois ele sempre está comigo”.
Pe. Mário Fernando Glaab

marioglaab.blogspot.com.br

Hunsrick - zu Weihnachte

UFF DE WEIHNACHTE PASSIAT
Dat woa in de letschte Toache voa de Weihnachte. De Pfarra hat sich Mie oan getun fa alle Kranke vun sein Pfarrei se besuche, un va ihne bisje Mut bringe, un aach um de nemlich Zeit sich selwa bisje bereit mache fa die gross Komemoration vun dem Jesus sei Geboatstoach. Bis dan hat ea selwa noch net richtich die Specktativ  vun “Herr wo kommt” gemerckt. Es is jo woa das ea gesucht hat in de Gotteswortmeditation, in de Gebeta, in de Weihnachtsbotschafte, in de Frohheit vun de Kinnacha; awa das Alles woa fa ihn so entfern, hat kei richtiche Geschmack. Sol das werklich nochmol en Weihnachte sin wo an komme is? Werklich nochmol en Gelechenheit fa Gott, de sich eene vun Uns gemach hot in de Figua vun dem Nazarethskind, se sprementiere? Das alles hat doch so weit ausgesien.
            Etwas iberraschendes is passiert wie de Podda in en einfach Haus komm is wo en alt Weib geleh hot, wo gonet me lofe kont. Menschlich gesproch, das wo en schlimme Stand. Awa de Podda woa jo das schon geweht, hot sich gleich fetich gemach dass dat Fromensch beichte tet; un dan, no weniche kotze gebeta, dem kranke Frauche die Komunion se gewe. Die Fro kunt awa net uff brasilionisch beichte. De Priesta, bische vertapt, hotze in erre eigene Sproch, oder in de sproch vun ihre eltre un Grosseltre wo vun Pole komm sin beichte geloss. Ohne en einsiches Wot se vertehn, no po Sekunde horra die Lossprechun gebet, un en gross Kreitzzeiche iwa die Busfrau gemach. Wie dan de Ritus am En wo, wolt dat Poddache, Spass mache, un verlangt dass dat kranke weib viel fa ihm bete solt, weil sei Iwagewung wea gonet leicht; un noch extra, weil ea mist sei Pfarrleid bediene wo jo noch netmol uff brasilionisch beichte kinne. Die Alt hot es aach versproche, awa sie tet es blos uff polakisch bete. De Podda hot weita gespielt, un gefroht: “awa mecht dan de liewe Gott dei schwere Sproch verstehn?” Die gut frau hot net lang watte geloss, un mit grosse Sicherheit un starke Glowe geantwot: “Gott versteht bessa in polakisch weil ich polakisch bete, un er tut mich imme verstehn, weil er imme bei mich is!”
            Das wo awa doch de beste Zeiche dass Gott werklich sich ene von Uns gemach hot, un dass er do wor, wo die einfache Leid sin, die demitische un die wo meh getrau sin, bei derre die, wense aach kei grosse Dinge mache, glowe fest an sei liewe Beisei. Dat wor dat beste Iwalebung fa de Pfarra an dene Weihnachte. Hat ihm gut getun, un er is hem gang mit grosse Freit, die selwiche wo die Engel de Hirte in de Weihnachtsnacht geprung han. De Podda hat net viel Grosses gesihn, hat awa das Geheimniss vun Kindegottes ganz dicht bei sich gespiert. Alle Schmuck, alle Weihnachtsmenna un aach die Musick in de stat honnen net me viel oangekriff; er hert imma noch, in tiefe seine Seele: “er versteht mich imma, weil er is imma bei mich”.
Glaabmário

marioglaab.blogspot.com.br

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Pensando pastoralmente

CATÓLICOS QUE DEIXAM O CATOLICISMO
Padre Iubel de Guarapuava, ao apontar algumas causas possíveis para a sangria do catolicismo, escreve:
"Mais do que por problemas doutrinários, os católicos que abandonam a sua igreja o fazem por problemas de relacionamento. Digo sempre que há três portas pelas quais os católicos costuma sair para não mais voltar: (1) A porta da casa paroquial, quando não são bem atendidos pelo diácono ou sacerdote; (2) A porta da secretaria quando são tratados com indiferença ou aspereza pelos secretários paroquiais; (3) A porta da igreja, quando não são acolhidos pela comunidade ou são por ela rejeitados. Volto a repetir: não perdemos católicos pela doutrina da Igreja e sim porque não os amamos o suficiente" (Em A Igreja na Diocese de Guarapuava, n. 417, p. 26).
Dá o que pensar!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Concílio Vaticano II hoje (11)

PACTO DAS CATACUMBAS (PONTO 10)

            O décimo item do Pacto das Catacumbas diz: “Poremos tudo em obra para que os responsáveis pelo nosso governo e pelos nossos serviços públicos decidam e ponham em prática as leis, as estruturas e as instituições sociais necessárias à justiça, à igualdade e ao desenvolvimento harmônico e total do homem todo em todos os homens, e, por aí, ao advento de uma outra ordem social, nova, digna dos filhos do homem e dos filhos de Deus. Cf. At 2,44s; 4,32-35; 5,4; 2Cor 8 e 9 inteiros; 1Tim 5,16”. Os textos citados: “Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e possuíam tudo em comum; vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um”; “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum. Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e sobre todos eles multiplicava-se a graça de Deus. Entre eles ninguém passava necessidade, pois aqueles que possuíam terras ou casas as vendiam, traziam o dinheiro e o depositavam aos pés dos apóstolos. Depois, era distribuído conforme a necessidade de cada um”; “Ficando como estava, não permaneceria tua? E vendendo-a, o dinheiro não ficaria teu? Como pôde tal coisa passar por tua cabeça? Não é a homens que mentiste, mas a Deus”; ( 8 e 9 da 2 Cor falam da ‘coleta para Jerusalém’ que é chamada de “ajuda aos santos”); “Se alguma fiel tem viúvas sob seus cuidados, que lhes dê assistência, de modo que a comunidade não fique sobrecarregada e, assim, possa assistir as verdadeiras viúvas”.
            O décimo item, acentua, sem dúvida, o compromisso que o líder religioso tem no sentido de ser fermento na massa. Não é ele quem faz o que precisa ser feito na sociedade, mas seu jeito de viver e de se posicionar exige coerência de todos, especialmente dos que governam e que decidem sobre os serviços públicos.

Poremos tudo em obra
            Os bispos estão muito bem cientes de que não são eles que devem resolver as questões pendentes e não resolvidas pelos poderes públicos. Esta é tarefa dos governos das nações. Mas, não querem, de forma alguma, se acovardar. Como cidadãos, e mais ainda, como líderes cristãos, farão tudo o que estiver ao seu alcance para que as leis sejam observadas e, consequentemente, haja desenvolvimento harmônico para todos. É a dignidade do ser humano que está em jogo. A nova ordem social haverá de ser digna para todos. Em outras palavras, é a fé cristã perpassando a todas as atividades governamentais e organizacionais.
            Houve, nas décadas pós-conciliares, em nosso continente, um verdadeiro despertar de consciências. Muitos, entre o povo simples, não se sujeitavam mais tranquilamente às maracutaias dos poderosos. E até entre políticos, governantes e homens que ocupavam altos cargos na sociedade civil houve mais comprometimento. Esse novo modo de ser Igreja – evangelizando as consciências – provocou um divisor de águas entre os conservadores e os inovadores. O que não visava o bem de todos, e que favorecia apenas alguns, não passava pelo crivo do povo que atendeu ao convite dos bispos do pacto.

Outra ordem social, digna dos filhos do homem e dos filhos de Deus
            Essa era a grande meta. E, não precisamos temer em dizê-lo, sempre há de ser a meta e o horizonte da Igreja, e os bispos, dentro dela, não podem se furtar nessa tarefa de impulsionar toda a comunidade na direção da dignidade.
            Hoje se fala da necessidade de se renovar a paróquia para que seja “comunidade de comunidades”. Para tal se insiste na “conversão pastoral” que deve deixar para trás estruturas obsoletas ou caducas. A paróquia, como toda a Igreja, deve recuperar a consciência de que está no mundo, para ali ser sinal da salvação trazida por Deus em Jesus Cristo, isto é, estar a serviço do mundo, e não procurar ser servida pelo mundo.
            O que é então possível sonhar? Os bispos, quando assinaram o pacto, certamente sonharam com outra ordem social, mais parecida com o ideal cristão; mas o que se pode sonhar hoje? Vito Mancuso, teólogo italiano, em uma reflexão a partir das reações que o Papa Francisco está provocando na Igreja, afirma que para alguns a ação do Papa suscita o sonho de um mito antigo e sempre recorrente de um retorno à Igreja primitiva, toda pobre, fraterna, simples, sem estruturas hierárquicas e sem leis canônicas. Mas ele esclarece que esse é apenas um mito. A realidade é bem outra. Como sugestão positiva, a partir da ação do Papa Francisco, Mancuso apresenta algo bem mais humilde, mas possível: “no direito de todos os batizados de ter uma Igreja simplesmente normal, na qual se possa confiar, uma Igreja onde os bispos não tenham residências luxuosíssimas e caros carros azuis, onde o banco vaticano esteja ao menos no nível ético de um banco italiano comum, onde o carreirismo e a sujeira (termos usados pelo Papa Bento XVI) não sejam tão flagrantes a ponto de condicionar o governo papal, onde as nomeações dos bispos ocorram por efetivas qualidades humanas e pastorais e não por servilismo que promovem incolores “Yes-men”, onde os escândalos de pedofilia não sejam encobertos e os culpados protegidos, onde na Cúria os corvos não voem até a escrivaninha papal em testemunho de venenosas lutas internas em comparação com as quais um condomínio qualquer, com todas as suas disputas, se torna uma imagem da concórdia paradisíaca, uma Igreja onde as ordens religiosas não sejam guiadas por personagens culpados de pedofilia como nos Legionários de Cristo ou de sequestro de pessoas e fraude como nos camilianos etc., etc.” (Artigo publicado pela Ihu-Unisinos, dia 12/11/13).
            Dormir é bom, mas sonhar é melhor. Sonhemos!
Pe. Mário Fernando Glaab

WWW.marioglaab.blogspot.com.br

sábado, 9 de novembro de 2013

Hunsrick - zu Advent

DE ADVENT IS KOM!

Nochmol em Advent is kom. Nochmol tun die Lichta in unsre Hetza sich erneire. Die Keriche, die Heissa, die Gadre un die Stette tun sich mit Lichta beleichte. Die ganze Lichta wo ma so siehn kan, tun awa net die Lichta substituire wo in de Hetza vun unsre Kinna sin, in der Hetza vun de Weiwa un vun de Menna wo an die grosse  Schenheit glowe das Got zu de Mensche komt, in dem Kindfigua: das Kind vun Nazareth.
Die Toche sin lan un ohrich genehm. Die Familie gehn in die Strosse. Die Leit loofe so despreokupiat dorum, blos fa se loofe. Die Kinna hupse un singe; alles tut sich in Freite begleite. Es is en Gnadezeit. Der Herrgott is unna uns. Wen aach die Geschefta das alles so extra exploriere, kinne awa die Freite un die Hofnun, wo weita wie de Konsumismus geht, net verstekelle. Wieviel Treffe, wieviel Griisse un wieviel Abrasse? Groat do tun die Spannunge sich renowiere. Do tut das Lewe sich nei mache. Ketze am blinke, Lichta am brenne; dunkele Hetza tun sich erleichtre un hatte Hetza were weich. Wieviel kleine Geschenkchaa were ausgeteilt, wieviel Leit were errinart? Oach viele Verstorbene komme in die Gedanke, un grieche Blimcha uff erre Grewa gelecht. Es is das Lewe wo in de Liwe sich weita macht wie de tot – is de Lewendiche Gott bei seine Freinte.
Advent, Zeit zum watte um neie Manifestatione vun den Retta. De Retta zeicht sich in dem Lecheln, in de Teilunge zwichich de Orme, in de Geschenka wo verteilt were, in de Gesichta vun de Brida un vun de Schwestre, haupsechlich in dem Lewe wo geteilt wet. Die Lieda, die Ritme vun de Lieda wo die Weihnachte schun anzeiche, es is kei Zweifel mehr: de Herr komt! Jede Sunntach, dat in de Kappell odde in de Katedral, die Adventketze were angestoch: die Escht, die Zweit, die Tritt, un die Viat. Jetz heat ma schun die gross Botschaft von dem Engel: “Ich tun eich en gross Freite brenge, wo aach fa alle Velke so is: heit, in de Davistat, is fa eich de Retta geboa, de wo de Herr Kristus is!” (Lk 2,10).
Advent. De Wunsch um Friede, Gesundhet un Freide tut sich nei mache. Die Grisunge soon es mit grosse Sin. Wo wonht de Friede? Dat im Hetz vun Jede de das Kind wo komt oan nemme tut. Die Hetza wo erhitzt sin mit dem wohre Licht, mit dem Liewefeia aus Gott, die Hetza tun unsa kalte Welt, son hatt Welt, son kropp Welt un son ungleich Welt nei mache, in en Welt mit Hitze, mit Zetlichkeit, mit Friede un mit Gleichkeit, wo es kei Schmetz, kei Traue, kei Trene me gewe tut; awa blos noch Freide un Liewe, weil “Got is Liewe” (1 Joh 4,9), un imme zu uns komt.
Scheene Adventzeit un frohe weihnachte.
Glaabmário

www.marioglaab.blogspot.com.br