sexta-feira, 11 de julho de 2014

Reflexão: Quem é culpado do sofrimento que nos atinge?

ESTÁ DEUS ME CASTIGANDO?

            Alguém, em tom desafiador, pergunta ao padre: “Estou doente, por quê? Eu sempre rezo, vou à Igreja e não faço mal para ninguém”. Pergunta nada fácil de responder, ainda mais quando a pessoa formou uma imagem de Deus, da fé e da sua Igreja que não tem relação com o Deus revelado por Jesus Cristo. Não adianta explicar, em tais casos, que a doença e o sofrimento são próprios do ser humano limitado, e que, quando unidos ao sofrimento de Jesus e de todos os irmãos sofredores, ele se torna redentor. A pessoa não vai entender nunca. Ela acha que, pelo fato de se considerar boa, merece alívio em seu sofrimento. A sua concepção de justiça o exige: “se Deus é bom, ele precisa me ajudar!”, então “por quê?”.
            Sem dúvida, a primeira resposta do padre vem também com uma pergunta: “O senhor já foi ao médico? E o que ele disse?” Como sempre, a resposta é positiva, mas com a justificativa de que já gastou muito com remédios e não se curou. “Já fiz novenas em honra de muitos santos; até em curandeiro já fui, mas nada ajuda! Agora quero saber do padre, por que isso? E se o padre pode me dar uma bênção”.
Essas histórias são comuns no cotidiano das atividades pastorais. E quando o padre pergunta se o fiel doente tem algum vício, se é fumante ou se ingere muito álcool, quase que automaticamente a pessoa, como que questionando a pregação de Jesus e da Igreja, assustada, interroga: “Mas, será que Deus está me castigando por isso? Eu fumo, bebo um pouco, mas não faço mal para ninguém; nunca deixo faltar comida para minha mulher e para meus filhos”.

E que Deus nós acreditamos?
            Pro trás desse diálogo, tão frequente entre fiéis e padres, percebe-se fé, mas fé em um deus que não é o Deus de Jesus Cristo, o Homem de Nazaré. Fé que foi se moldando, no decorrer dos anos, em um deus mesquinho, feito à nossa imagem e semelhança. Ele deve ser assim como nós o imaginamos, conforme os conceitos de justiça, de bondade ou mesmo de vingança que nós temos. A Igreja, caso quiser ser fiel ao seu Divino Mestre, precisa constantemente anunciar Deus que é Pai, isto é, que ama a todos os seus filhos e filhas, não porque eles são bons, mas porque Ele é bom. A bondade dele os torna bons! É ele que contempla os seus filhos e filhas e se compraz neles. Porém, para tal, a Igreja necessita voltar sempre para o rico ensinamento de Jesus. Jesus ensinou que Deus é justo por saber distribuir seu amor e sua misericórdia para com todos. Ele não pode ser fechado nos moldes de nossa justiça, de nossa bondade, e muito menos, de nossas inclinações para pagar o mal com o mal.
            Um grande teólogo do século XX dizia que, a partir de Jesus, ao nos referir a Deus, é melhor não chamá-lo diretamente, mas designá-lo como o “Mistério que costumamos chamar Deus” (K. Rahner). É, portanto, o “mistério insondável”. Não no sentido filosófico, mas no do amor infinito. Isto nos faz pensar sobre o que normalmente dele falamos, ou como nos relacionamos com ele. Talvez seja conveniente admitirmos que nós crentes, e sobretudo os eclesiásticos, falamos dele como se o tivéssemos visto e conhecêssemos perfeitamente seu modo de ver as coisas, de sentir e atuar. Isso leva ao pior: fechamos Deus em nosso esquema humano, até menos humano do que nós; pois nós lhe dizemos como deve proceder! Basta observar a grande maioria de nossas preces de petição. Elas dizem a Deus o que ele deve fazer!
            Para muitos, crer em Deus é crer em alguém que está fiscalizando os homens, anotando seus pecados e seus méritos, para no final, pagar a cada um segundo suas obras. Seria Deus assim tão desumano? Tão sem coração?! Lembremos que foi justamente esta visão errada de Deus que levou os líderes religiosos e políticos a se irritar e rejeitar Jesus. Não foi pelo seu rigor ou radicalidade, mas por anunciar um Deus “escandalosamente bom” que foi perseguido e morto. Basta ver a parábola do “Dono da Vinha” (Mt 20,1-16). É doloroso afirmar, mas também hoje, depois de 2.000 anos de cristianismo, provavelmente mais de um cristão se escandalizará ao ouvir falar de um Deus a quem o direito canônico não obriga, que pode doar sua graça sem passar por nenhum dos sete sacramentos e salvar, iclusive fora da Igreja, homens e mulheres que nós consideramos perdidos. Precisamos, como nos lembra bem o Papa Francisco, nos deixar surpreender por Deus, mesmo que até possa chegar a nos “escandalizar”.
            Não é, com toda certeza, Deus quem castiga o doente que vem procurar resposta com o padre. Deus só sabe amar, ele é só-amor. A dor e o sofrimento existem, e nem Deus, em Jesus Cristo, se furtou dessa experiência. Desafiador é explicar isso ao doente concreto, àquele que não consegue aceitar que suas limitações e seus vícios têm consequências diretas sobre sua vida. Pois, é muito mais fácil jogar a culpa em Deus do que assumir os desafios da vida, dos próprios pecados e da natureza que se cobra das agressões que nós lhe fazemos.

Resolve abençoar?
            Mas se é assim, resolve abençoar? Qual o valor da fé e da Igreja? É bom abençoar, é bom incentivar a fé e se sentir inserido na Igreja. Não devemos duvidar disso. Mas, ao abençoar, como Jesus o fazia, é preciso mostrar ao fiel que Deus o ama do jeito como ele é, que Deus conta com ele e o quer responsável pela sua vida e sua história. A fé e a participação na Igreja lhe dão a segurança de que não está sozinho. Ele é membro de uma imensa comunidade de irmãos, onde o próprio Deus se faz presente no amor experimentado sensivelmente.
            O ministro da Igreja, ao abençoar alguém que está passando por dificuldades, deve sempre lhe lembrar que Deus é Pai e perdoa incondicionalmente; os irmãos e irmãs, quando ofendidos, muitas vezes perdoam – outras não! -, mas que a natureza não perdoa nunca, ela segue suas leis e, quando essas são transgredidas ela se vinga. Aí podemos entender muitos sofrimentos que vêm em função dos vícios, das ganâncias, das explorações desordenadas ao meio ambiente, do desrespeito às leis de trânsito etc.
            E para concluir quero fazer minhas as palavras do teólogo Antonio Pagola: “Deus é bom para todos, que o mereçam ou não, sejam crentes ou sejam ateus. Sua bondade misteriosa ultrapassa todos os nossos cálculos e está além da fé dos crentes e do ateísmo dos incrédulos. Diante deste Deus, o único que cabe é o júbilo agradecido e a confiança absoluta em sua bondade” (Caminho aberto por Jesus – Mateus, p. 245).
Pe. Mário Fernando Glaab

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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Hunsrikisch - En spessje. Dialeto Hunsrick

DE BEESE PODDA UM DAT FRECHE HANNSJE

Um die Zeite wo die Poddre noch meh Autorited harre um wo die Kinna aach noch mea Respeckt harre woa jo Alles bessa un scheena. Awa manchmol is doch etwas passiert wo sich komisch oangeheat hot. Im Pinhonpikoot, do woa groat mo Unnericht un de Podda wo do fa de Kinna die letzte Voabereite im Katismus predigge. In zwische de Kinna woa dat Hannsje. Ea woa vun gute Leit, awa orich frech! Ea hot’re imma mo poo aprontiat. Die Katismuslehrin hat en Lascht mit dem Kurii. Wie dan de Podda kum is, do hot’se gesoat: “De Podda is bees; du Hannsje, du muscht dei kanse Frecherei beichte, un sich gut uffpasse, sunscht gibt’re”. Das woa dem Hannsje alles egoal. Dea hot weite aprontiat. In de Unnericht hot de Podda oach schun mo bees gemach, un getroht. Kei Resultat.
Dan is awa doch de Toch kum wo die Kinna beichte musste. Jetz kommt dem Hannsje sei Stunn, hon die Lehrin un die annere Kinna so hehlich fa sich gedenkt. Aach de Podda hot bische gespekeliert wan dass dat Hannesje an de Rei wea. Un do wor ea aach schun am Beichtstuhl. “Patarde”, sohra. Dat hot doch dem Podda schun uff de Nerve getroff; hat awa gedultich geantwat: “In alle Ewigkeit”. Dan hot dat Hannsje mo sei Frechheite all scheen runnagesaat. Dea beese Podda hot sich festgehal fa net die Paciens veliere, dan hot ea mol so langsam erkleat: “Jung, ich weiss nicht ob wir uns im Himmel treffen!” Dat Hannsje hot kei Zeit verloa un hot gleich gefrot: “ Ja, Podda, was hascht du dan so Schlimmes getun, um net in de Himmel kumme? Un kannsch du net oach beichte un von liebe Gott verzeicht werre?”
So is das vielmols: es is imme leichta de Annere  das Himmelstoa zu mache wie sich selwa als Sinda erkenne.

Glaabsmário

terça-feira, 24 de junho de 2014

Aborto: Volta à Barbárie

REFLEXÃO
            Apresento uma ótima reflexão do sempre iluminado Pe. Zezinho. Muitas vezes o povo simples fica confuso diante das críticas maldosas que a imprensa faz contra a Igreja e a sua luta ferrenha em favor da vida de todos, também dos ainda não nascidos. A mídia usa todos os meios para denegrir a imagem da Igreja, provocando um grande mal estar diante de questões vitais da ética e da moral. Pe. Zezinho, com palavras simples, mas que não deixam de ser profundas, convida a todos para analisar se o aborto é de fato uma conquista cultural.
            Tive acesso ao artigo pelo Correio Riograndense, número 5.399, p. 6. Leiam e meditem. Pe. Mário


VOLTA À BARBÁRIE
Pe. Zezinho
            Há quem ache que é civilização, mas é barbárie. Também os nazistas achavam um avanço o seu Nacional Socialismo, que provocou milhões de mortes e jogou a Europa no magno conflito 1939-1945.
            Na Inglaterra já se faz aborto impunemente, mesmo quando o motivo é o sexo do bebê. Se os pais não quiserem menina ou menino, porque não queriam um daquele gênero, podem abortá-lo. Alimento ou roupa com algum defeito se troca no supermercado ou na loja, mas filho-feto se mata porque nascer menina ou menino é defeito. Não veio de acordo com a encomenda.
            Hoje, em não poucos ambientes ditos culturais, filho concebido é apenas feto e ainda não se tornou filho. Para eles, filho concebido e não querido deve ser extraído. E chamaram a isso de avanço cultural!
            Na Roma pagã, se o pater-familiae, dono absoluto da vida e da morte dos seus familiares e escravos, decidisse não assumir o filho por ele gerado, simplesmente não o erguia do chão. Havia casos em que a criança era colocada num cesto e exclaustrada da casa para ser adotada. Na Idade Média, muitas famílias abastadas, capazes de abandonar o filho bastardo, mas incapazes de o matar, colocavam a criança rejeitada e sem linhagem numa portinhola de conventos que as criavam como filhos de Deus.
            Hoje, alguns governos subsidiam o aborto, em favor da mulher que não quer ser mãe, mas não deve correr o risco de morrer ao matar o feto que ela não considera como seu filho. O raciocínio é “destrua-se o feto indesejado e salve-se a mãe que não o deseja”. E não falta quem, valendo-se a mídia, acuse as Igrejas cristãs, que defendem o feto, de insensíveis ante tantas mortes de mulheres causadas por aborto mal feito.
            Não deixa de ser questão de saúde pública, mas a possível dor do feto também é questão de saúde pública e, em muitos casos, de sanidade mental. Ou o leitor não acha insano que os pais abortem um feto por não ser do sexo encomendado?...
            Priorizam o direito da mãe não-mãe e secundarizam o feto, eles que seguramente não foram secundarizados. Se estão lutando pró-aborto é porque não foram abortados...



domingo, 15 de junho de 2014

Heresia perigosa

TEOLOGIA DA PROSPERIDADE - A HERESIA DOS NOSSOS DIAS


Pe. Mário Fernando Glaab


"Se Deus quiser", é o que mais se ouve quando o assunto é sonhos e desejos das pessoas. Ainda mais quando elas estão em situações complicadas nas quais as forças humanas parecem falhar. Como resolver certas questões que fogem às capacidades materiais, intelectuais e profissionais dos indivíduos? O jeito é apelar para soluções religiosas. Deus pode e deve intervir, pois ele é o todo-poderoso, afirmam. O segredo a ser descoberto não está no poder dele, mas na forma de se chegar melhor a ele, isso é, por meio de que religião ou de quais práticas piedosas; onde funciona melhor tal acesso, ou por onde se chega antes? E, por outro lado, não se tem nenhum escrúpulo em afirmar, quando as coisas não deram certas, quando faltou sorte, que "Deus não quis!" Acidentes, doenças, reprovações em provas, insucessos nos negócios, tudo acontece porque "Deus não quis". Pior ainda, por vezes, quem leva a culpa daquilo que não deu certo é o diabo. Pobre do diabo! - Bode expiatório das incompetências humanas.
Explorando a confiança em Deus, tão enraizada no povo simples de todos os tempos, surge, com forte poder de sedução, a heresia da teologia da prosperidade. Ela não é novidade de nossos dias, mas nos últimos tempos cresceu e assumiu proporções assustadoras. Por sobre os desafios cada vez mais prementes da sociedade atual, ela encontra terreno fértil. É bem mais confortável "confiar" em Deus do que arregaçar as mangas e ir para a luta. Quando, por omissão ou incompetência, não se alcança o esperado, jogar a culpa em Deus ou no diabo, também é mais fácil. Contudo, isso não é somente fruto de uma doutrina mal entendida do costume de rezar para pedir sucesso nos empreendimentos; mas é planejado e ensinado por pegadores interesseiros. Não há dúvida de que já desde o início da era cristã, esse aspecto, por falta de conhecimentos e por interesses estranhos, existiu e persistiu. Basta lembrar os abusos na Idade Média com a venda de indulgências que provocaram a revolta dos reformadores. Em nossos dias, no entanto, o problema está tomando proporções alarmantes.
Tudo parte da concepção de Deus que se tem e que é ensinada, tantas vezes ta distante do Deus bíblico. O Deus que se revela na bíblia, principalmente no Novo Testamento, é o Deus-amor (cf. 1 Jo 4,16). Ele não sabe fazer outra coisa a não ser amar. Ele não pode querer o mal nunca; e nem sequer pode não querer o bem de suas criaturas, especialmente de seus filhos e filhas. Ao ser coerente com a visão bíblica de Deus não se pode admitir que Deus-amor possa "permitir" que o mal aconteça para alguém. O mal existe porque as criaturas são limitadas e, como tal, sujeitas a ele. Os seres humanos provocam-no ao usar inconvenientemente a liberdade, que também é finita. Contudo, o apoio e a graça de Deus estão sempre ao dispor de cada um, sem discriminação. Deus não ama mais um do que o outro, só porque este fez algo de bom; e Deus não deixa de amar alguém porque fez algo errado; isso porque Deus é bom. É sempre bom saber que Deus ama cada ser humano não porque o ser humano é bom, mas porque ele é bom. Deus fez o ser humano bom por ser o Deus de bondade. Este é o núcleo central do anúncio de Jesus de Nazaré. E é essa Boa Nova que precisa ser descoberta sempre de novo. Ela se encontra não em abstrações aéreas, mas no encontro vivo com a pessoa, a história e a vida concreta de Jesus de Nazaré, que hoje se torna possível quando se tem os pés no chão, isso é, quando se experimenta a presença e a ação dele na vida do planeta, principalmente na vida ameaçada dos seres humanos. A vida ameaçada grita mais forte no rosto dos pobres de todos os tipos: pobres de bens materiais, pobres de cultura, pobres de fé, pobres do sentido da vida. Aí é que o anúncio vivo do Evangelho se torna verdade. Verdade que é compromisso de transformação. O Homem de Nazaré está aí, não para com um toque de mágica resolver todos os problemas dos humanos, mas para doar continuamente a sua vida, para que todos tenham vida em abundância (cf. Jo 10,10). Uma vez de posse dela, partilhá-la entre si, e assim, ajudando-se mutuamente, vencer o mal pelo bem.
Por isso é mais do que urgente redescobrir o verdadeiro Deus bíblico, o Deus de Jesus de Nazaré. Muitos deuses falsos apareceram durante a história. O que muda é a maneira como eles se apresentam. Mas na essência são sempre os mesmos. Para enganar, eles são tentadores: prometem tirar as cruzes dos ombros de seus seguidores, aliciam com promessas de prosperidade, muito sucesso nos negócios e, aliviam as consciências dos faltosos jogando a culpa no diabo. Assim vale a pena viver! Todavia, em sã consciência, pode-se dizer que é esse o Deus revelado em Jesus de Nazaré?
No mundo globalizado onde tudo vale quando dá lucro, onde as leis do comércio ditam as regras, também as religiões são envolvidas no mesmo emaranhado. Se no passado havia abusos que exploravam a fé das pessoas, hoje eles são mais numerosos. Não se teme tomar o nome de Deus em vista de vantagens pessoais ou do grupo. Existem inúmeros os pregadores que literalmente vendem graças, bênçãos e curas, tanto físicas como espirituais. Quanto mais o fiel investe orando e pagando, tanto mais Deus é obrigado a atender. Os diabos são expulsos pela força que o pregador diz possuir – mas não faz uso desse poder sem esperar algo em troca. Contudo, essa prática não se restringe apenas a certos grupos mais exaltados, está presente em quase todas as igrejas. Algumas conseguem camuflar e elevar o nível das pregações, mas não estão livres da visão errada de Deus e da prática religiosa. O que querem é "aproveitar" do desejo de ser bem-sucedido, tão em voga no homem contemporâneo, e assim fazer adeptos e levar vantagens. Como diz um teólogo: "Não obstante as diferenças históricas, as indulgências de ontem e os rituais de prosperidade de hoje tomam como base da operação religiosa o desejo humano de ser bem-sucedido nessa e na outra vida" (João D. Passos). É a teologia da prosperidade que se constitui em heresia, mais perigosa hoje que no passado.
De quem é a culpa? Sem querer apontar um culpado, convidamos à reflexão. Se as igrejas se preocupassem mais em ter suas doutrinas sempre atualizadas, bem explicadas e acessíveis aos fiéis em geral, será que não mudaria muita coisa? Ter consciência, como diz outro teólogo, que "a teologia deve ser viva e estar a serviço da vida, mesmo que para tal tenha de repensar aquilo que outrora era verdade inquestionável" (Silas Guerriero) não ajudaria a evitar tais abusos? Quem sabe, se de fato a teologia se tornasse importante, isso é, fizesse o seu papel de interpretar as coisas deste mundo à luz da fé, dar a elas o seu sentido último em cada época e em cada situação; se os teólogos fizessem o seu trabalho com dedicação e sinceridade, visando a verdade sem interesses próprios; se os pregadores dessem mais atenção aos teólogos; e, se os fiéis não engolissem qualquer pregação, mas se perguntassem sobre sua origem e seriedade, a heresia cairia vertiginosamente.
A heresia da teologia da prosperidade somente será vencida quando cada um e cada uma assumir a sua dignidade e, consequentemente, os seus compromissos. O ser humano é sempre finito e assim se depara com suas limitações. Precisa, no entanto, assumi-las com responsabilidade. Não atribuir a Deus o que cabe a ser humano fazer e, igualmente não culpar a Deus ou ao diabo pelos seus erros e suas limitações.


Referências bibliográficas


PASSOS, João Décio. Ser como Deus: críticas sobre as relações entre religião e mercado, in: BAPTISTA, P. A. N. e SANCHEZ, W.L. Teologia e Sociedade: Relações, dimensões e valores éticos, São Paulo: Paulinas, 2011.
GUERRIERO, Silas. A diversidade cultural como desafio à teologia, in: BAPTISTA, P. A. N. e SANCHEZ, W.L. Teologia e Sociedade: Relações, dimensões e valores éticos, São Paulo: Paulinas, 2011. 

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Melhorar as celebrações litúrgicas

CELEBRAÇÕES LITÚRGICAS POLUÍDAS
Pe. Mário Fernando Glaab

            No início do cristianismo as celebrações litúrgicas da Igreja primitiva eram muito simples. Os fiéis se reuniam nas casas para ouvir a pregação dos líderes, fazer orações e “repartir o pão”. Nestes encontros não havia nada de pomposo. Restringia-se a um encontro familiar, ou melhor, um encontro comunitário dos discípulos de Jesus que morrera, que ressuscitara e que enviou o seu Espírito sobre eles. Reuniam-se para “fazer memória” do que ele fez e mandou que eles fizessem. Com o passar dos anos foram se organizando ritos para as diversas celebrações. Além das riquíssimas tradições judaicas, as contribuições dos povos que se convertiam ao cristianismo iam se somando às maneiras de celebrar. Importância enorme teve a construção dos templos próprios para serem lugares sagrados. Cada vez mais as comunidades se reuniam em número sempre maior, não mais nas casas, mas nos templos erigidos para essa finalidade: casas de Deus e casas das comunidades, onde as liturgias se revestiam do sagrado. Ao redor do essencial surgiram inúmeros acréscimos simbólicos que porém, aos poucos, chegaram a confundir os fiéis nas celebrações, desviando-os do principal.
            Durante os séculos aconteceram renovações litúrgicas, adaptações, avanços e aprofundamentos. Procurou-se dar aos fiéis de todos os tempos acesso aos mistérios da fé, acentuando mais o mistério, outra vez mais a participação dos fiéis. A partir do Concílio Vaticano II a Igreja empreendeu um enorme esforço para se adequar às exigências dos tempos atuais, também na liturgia. Uma das preocupações do Concílio foi o de “ler os sinais dos tempos” e a partir deles reinterpretar as verdades sempre atuais da fé e expressá-las convenientemente na celebração litúrgica. Especialistas trabalharam incansavelmente para que o povo que pretende celebrar a sua fé pudesse chegar ao essencial e não se perder no acessório.

O espaço litúrgico para a missa
            As igrejas, que na maioria foram construídas em outras épocas necessitaram ser adaptadas aos novos tempos. O espaço litúrgico haveria de ser direcionado para o mistério central da celebração. Isso criou dificuldades, pois não é fácil modificar o que foi planejado com outra visão. Mesmo igrejas novas, construídas depois do Concílio, nem sempre tiveram orientação renovada. Em muitas cabeças as novidades litúrgicas ainda não produziram alterações inovadoras; talvez até provocaram reações adversas. Igrejas modernas não são necessariamente igrejas com espaços litúrgicos conforme a novidade conciliar. Igrejas antigas, e novas também, esbanjam frequentemente imagens de todos os tamanhos, cartazes, faixas, estantes, toalhas, flores, velas e um mundo de objetos que desviam a atenção do que deveria ser central. Pergunta-se, por quê?
            Certamente não é fácil dar os motivos para esse emaranhado de símbolos e objetos de devoção. Porém uma coisa é certa: quando essa variada abundância de coisas não consegue destacar o centro da fé e da celebração que aí se realiza, ela se torna prejudicial. Bom seria se, ao invés de ser material que confunde, fosse acentuar e sobressalientar a simplicidade do necessário. Mas quando isso não acontece pode-se falar em “poluição” do espaço litúrgico.
            Alguns critérios bem práticos para que o espaço litúrgico das igrejas seja funcional, destaque o essencial e não polua o ambiente, podem ser: 1) que o centro de tudo seja o altar, sobriamente ornamentado com uma toalha. Que o altar convide os fiéis a se “aproximarem” do coração de Deus, pois é sobre ele que Cristo se oferece em sacrifício. E que todos os que se aproximam do altar o façam para servir a esse sacrifício. O altar não é uma mesa qualquer que serve para aí se colocar papeis, flores, velas, para aí escrever ou colocar máquinas fotográficas e até celulares; 2) que ao lado do altar, na mesma direção dele, esteja o ambão; nem mais para frente ou mais para trás, nem em degrau inferior. Também ele sobriamente ornamentado. O lecionário, de preferência, seja visível sobre o ambão. Ao se colocar velas ou flores junto dele, estas não devem roubar a cena. Elas somente devem destacar o lugar donde é anunciada a Palavra de Deus; apontam para a “boca de Deus” que conduz à salvação. Igualmente os leitores devem ter consciência do que irão fazer: proclamar a Palavra de Deus. Para isso, o leitor precisa estar muito bem preparado. Ler bem, apesar de saber que não faz somente uma leitura. Ele se empresta a Deus para que Deus possa se comunicar; 3) do outro lado do altar, em lugar bem visível, está a cadeira do presidente, a sede. Esta cadeira, geralmente ladeada por duas menores, está aí para lembrar o Cristo Ressuscitado que está no meio dos seus. Esse lugar é ocupado somente pelo presidente da celebração, o sacerdote que age na pessoa de Cristo. Para não roubar a cena e “esconder” o presidente que está sentado ou junto à cadeira presidencial, recomenda-se que nas cadeiras ao lado dela não se coloque pessoas adultas – ministros -, mas somente coroinhas. Eles têm a finalidade de servir ao presidente e, como crianças, dar-lhe destaque; 4) bem visível na parede ao fundo do altar deve estar o crucifixo. Tanto que quem olha para o altar, necessariamente seja levado a contemplar o Crucificado; 5) imagens de santos, mesmo do padroeiro, podem ter seu lugar de honra no presbitério, mas não desviar do foco central que formam o conjunto até aqui descrito; 6) o sacrário, de preferência esteja em capela lateral. Lá o Santissimo ficará guardado para ser levado àqueles que não podem participar da celebração na igreja; e, para adoração individual ou em grupo. O translado de hóstias consagradas do altar para o sacrário e de lá para o altar durante a missa é sempre muito discreto. Os fiéis naquele momento estão concentrados na celebração da eucaristia, não na adoração.

Os ritos da celebração
            Mesmo que a celebração da missa seja pré-estabelecida, ela admite bastante criatividade. Conforme o tempo litúrgico ou a ocasião em que se celebra, podem-se acrescentar símbolos, mensagens e orações. No entanto, também nesse aspecto, a simplicidade é fundamental. Tudo o que se faz tem como finalidade a comunicação entre o mistério e os fiéis. Quando uma celebração fica sobrecarregada de gestos, mensagens, comentários e até de cantos, ela, ao invés de favorecer a comunicação com o sagrado, torna-se “incomunicação”. Confunde e ofusca o essencial. E, por outro lado, é tão agradável quando a celebração decorre na simplicidade, convidando todos a se ater no essencial. Assim o coração humano sente o coração de Deus e, percebe o pulsar do coração dos irmãos.
            Também aqui temos alguns critérios que podem ajudar: 1) que os comentários sejam breves, e, sempre convidem a “olhar” para o que acontece no ambão ou sobre o altar. Que nunca tomem o lugar desses. Quem quer se comunicar é Deus com sua Palavra e com a doação de seu Filho. O comentarista deve saber disso; não é ele que vai se comunicar: ele “aponta” para o ambão ou para o altar; 2) os cantos igualmente sejam breves. E, nunca - nunca mesmo! – são executados para fazer show. O responsável pelos cantos precisa ajudar a assembleia para que se possa expressar cantando. Com os cantos toda a assembleia exulta de júbilo no Senhor; 3) não convém que a toda hora entrem objetos como imagens, bandeiras, e outros símbolos. Uma ou outra vez tais entradas podem favorecer a união da vida do dia-a-dia das pessoas com o mistério de Cristo; mas não devem se tornar corriqueiras; 4) as homilias sejam um compartilhar da Palavra de Deus; um continuar atualizando o que Deus disse. Homilias longas cansam e não produzem frutos bons; 5) muito barulho e muita movimentação durante a celebração são inconvenientes. O silêncio é importante. Todos precisam de tempo para interiorizar a mensagem e para rezar no profundo de seu coração; 6) avisos – sempre no final da missa -, devem ser concisos e não muito numerosos. Não é o momento de fazer “sermão”, ou até, de reclamar e chamar a atenção das pessoas.
            Convém que todos se sintam membros do Corpo Místico de Cristo e da Igreja, e assim experimentar o amor infinito de Deus nas celebrações eucarísticas. As nossas liturgias devem ser com o povo e não para o povo. As celebrações necessitam levar os fiéis, incluindo o padre e a equipe litúrgica de celebração, a serem um só coração e uma só alma, e que despertem a comunidade para o compromisso com a vida e os mais sofredores do mundo.

            É, portanto, de grande importância que se “limpe” de vez em quando nossas liturgias, pois não raras vezes elas estão bem “poluídas”.

domingo, 11 de maio de 2014

Hunsrick - Spessje

DE FRIEDHOLD UM SEI REES NO ROM
De Friedhold, das wo son frohe Mensch, um de hat oach imme so gute Plen gemach. Hot ach imme drohn gegloabt. Wat er sich voagenomm hat dat wolta ach sien im gute End. Awe er hot doch sei Nochba gehat, de Gustav, de wo Hoaschneida woa, de wo doch imme so ahrich pessimist. Jesdesmol wen de Friedhold beim Nochba uf dem Schneidastuhl gehuckt hat un sei grosse Plen voa gebrun hat, dan hat de Gustav schun Alles vermist. Alles wo schwea un unreichbar. Awe de Friedhold hat sich net steere geloss.
En scheene Toach wie de Friedhold nochmol groat so do gehuckt hat uf dem Schneidastuhl sorra iwe de Gustav: “Gustav, wescht du ich will doch mo no Rom reisse fa mo de Popst se beschche”. Dat woa doch bische zu viel fa dem Gustav sei Kunne! De Gustav, so pessimist wie ea woa, hot gleich gebrumt um geknorrt: “Oje, was denscht du, Fridhold: Du noch Rom reisse, um Dan noch de Popst besuche! Dat is doch plet sin. Du woscht doch noch net weite wie bis in unsa Statplaz, un was is das geche en Grosstat? Un dan, meensch du dass de Popst Zeit fa dich het? Du orme Kerl! Bleibt doch schen dehem”. De Friedhol hot sich net viel draus gemach mit dem Gustav sei Abroterei. Ea hat sei Plene un wo siche dafor.
Un werklich: Zwei Monate speta, uff emol komt jo doch de Friedhold nochmol in die Schneiderei, setz sich ach gleich uff de Stuhl. De Gustav hot dan mo gefrot: “Na, warom bischt du schun so lang nimme komm? Is Etwas passiert?” Do hot awe dan de Friedhold es mo aproweitiat, un hot so spettich gelacht un gesaat: “Ei ich soot dich doch dass ich no Rom reisse wollt. Desweche sin ich so lang nimme komm! Heit sin ich nommo mit Leib un Seele do”. De orm Gustav wust in Moment gonet was ea soon sollt. Soll das woa sen? Horra so leis fa sich gedenk. Awe do hot ea mol gefrot: “Naja, un wie woa Dan die Rees?”  “Scheena wie die Rees, blos zwei Reesse!” antwort de Fridhold. “Es is Alles so richtig abgeloof; Alles was ich sien wollt, un Alles was ich mache wollt hat geklapt”. Do is de Gustav doch neigerich woa, hot gefrot: “Ja, un de Popst: host du ihn gesien?” “Awa doch sicha! Wie ea dich kommt is wo ich woa, uff eemol guckt ea zu mich un gebt en Zeiche, ich sollt dichta kumme. Ich hon gement das kent noch fa en Annere sin, awa do hot ea nochmol so mit de Hand gemach dass ich sicha woa. Wie de Heiliche Vadda mich die Hand gedrickt hat wo ich so froh dass ich gonet wuscht was ich spreche sollt. Do Hat de Post oangefan un gesoot: ‘Dreh dich mo rum’, un hat mit seine Hand mitgeholf. Ich hon mich gedreht, wuscht net was das bodeite sollt. Nochmol sorra: ‘Dreh dich doch mo widda’, ich hon es gemach. Awe do hot jo doch de liewe Heiliche Vadda mich gefrot: ‘Na, soo doch mo, wo hascht du dei Hoa so scheen geschnit?!’ Ei, beim Gustav, woa mei Antwot”.
Weil doch de Gustav das net erwat hot, horre mo so leis gedenckt ob sei Pessimismus noch Sinn het. Spesja muss ma jo mache, wenn es ach net so woa is, sonst wet das Lewe jo viel zu enst.
Glaabsmario
www.marioglaab.blogspot.com.br


quinta-feira, 8 de maio de 2014

A Palavra proclamada, não lida.

MENSAGEM HUMANA E PALAVRA DE DEUS

            Alguém disse que prefere uma linda mensagem no lugar da explicação da Palavra de Deus. Essa tentação é frequente, tanto para ouvintes como para pregadores. Para alguns é cansativo falar ou ouvir falar da Palavra de Deus todos os domingos nas celebrações. Uma mensagem, quando bem feita, por gente que coloca uma pitada de emoção, pode até interessar mais que os evangelhos que já se conhece tão bem! Talvez atinja mais os ouvintes e desperte neles sentimentos mais diversificados. Contudo, por mais bonita e profunda que uma mensagem possa ser, ela nunca se iguala à Palavra de Deus.
            Uma mensagem humana é sempre uma entre tantas mensagens humanas. A Palavra de Deus é sempre uma e única. Não se diz “palavras do Senhor” ou “palavras da Salvação”, mas Palavra do Senhor ou Palavra da Salvação. Mesmo que as mensagens humanas, quando ditas por pessoas sábias e santas, possam ser riquíssimas, há entre elas e a Palavra de Deus uma enorme distância, pois “o meu pensamento não é o pensamento vosso, vossos caminhos não são os caminhos meus” (Is 55,8). Se mensagens são ricas, a Palavra é a própria riqueza. Uma boa mensagem humana busca da fonte que é a Palavra de Deus.
            Na prática de numerosas homilias ou em belas mensagens que se quer passar, conforme o momento e a situação, cai-se facilmente no erro de “querer dizer algo” e para tal, busca-se apoio na Palavra inspirada. O inverso, no entanto, é preciso aprender. A iniciativa sempre deve ficar com a Palavra de Deus. Ela fala e, uma mensagem humana que quer ser boa, consegue adaptá-la para determinada ocasião. Sabe iluminar o momento ou traduzir o conteúdo que é a Palavra sempre atual e eterna para que também as pessoas que estão no espaço e no tempo, aqui e agora, tenham acesso a ela. As mensagens são sempre mensagens limitadas no tempo e no espaço, são as mensagens deste ou daquele personagem. Podem ser retomadas, mas não “atualizadas”. A Palavra, pelo contrário, é sempre atual, pois “passarão o céu e a terra, mas minhas palavras não passarão”.

Experiência das comunidades cristãs primitivas
            Quando morre alguém importante, um sábio ou um santo, com o passar dos anos via se à cata de sua história. Juntam-se todos os dados, buscam-se seus ensinamentos, seus feitos, tudo é arquivado para constar e enriquecer a história. Quem quiser usar da sabedoria ou de santidade do herói falecido vai buscá-lo em sua história. Coloca-o no seu contexto histórico e no espaço em que viveu e agiu. Com os discípulos de Jesus, logo após a sua morte e ressurreição, aconteceu algo semelhante, mas também algo bem diferente. Eles foram juntando seus ensinamentos, palavras e feitos, memorizaram e escreveram; passaram-nos adiante. Porém, quando “usavam” esses ensinamentos, não os usavam como se usam os ensinamentos de um herói morto, um herói do passado. Eles, quando se lembravam de Jesus, quando recordavam suas palavras e contavam seus feitos, quando os transmitiam aos novos ouvintes; não voltavam ao passado, mas experimentavam o próprio Jesus Ressuscitado comunicando-se com eles. As palavras que transmitiam não eram palavras do passado, mas a Palavra que é atual, falando agora para eles. Os pregadores, os escritores ou os leitores, não as faziam suas. Mas sabiam, pela fé, que esta era a Palavra, era o Ressuscitado em pessoa que estava presente. Eles “reapresentavam” a Palavra emprestando suas palavras, suas pregações e seus escritos humanos. Havia uma verdadeira fusão entre a Palavra (feito carne) e as palavras dos discípulos.
            Assim surgiu o conceito de “Evangelho” – Boa Notícia. Boa notícia não para o passado que talvez ainda tenha algum significado para os ouvintes de hoje, mas Notícia que tem toda a sua força, assim como a teve quando anunciada aos ouvintes que estavam diante de Jesus histórico. Nestas comunidades, as primeiras comunidades cristãs, os evangelhos eram lidos, não como palavras ditas por Jesus no passado, mas como palavras que em cada tempo o Senhor Ressuscitado está dizendo a seus ouvintes que querem ser seus seguidores. As comunidades haviam recolhido as palavras de Jesus e seus feitos como palavras de alguém que está vivo e continua falando ainda hoje aos que creem nele.

Conclusão
            Por tudo isso, um cristão nunca confunde a Palavra de Deus, especialmente o Evangelho, com qualquer outro escrito ou mensagem, por mais profunda ou linda que seja. Trocar a Palavra por uma mensagem humana é muito grave. A Palavra de Cristo fala diretamente ao coração, as outras palavras também podem chegar ao coração, mas passam por muitos caminhos, pois são construções limitadas. Aliás, o Concílio Vaticano II o diz solenemente na Sacrosanctum Concilium 7: “Presente está pela sua palavra, pois é Ele mesmo que fala quando se leem as Sagradas Escritura na Igreja”.
            Portanto, leiamos muitas e boas mensagens, muitos bons livros, mas tenhamos consciência de que quem souber ler o Evangelho com fé o escutará no fundo de seu coração, escutará o próprio Ressuscitado na intimidade de seu ser.
Pe. Mário F. Glaab

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